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BCE se divide entre esperar e anunciar mais medidas de apoio

Piotr Skolimowski, Ruben Munsterman e Jeannette Neumann
·2 minutos de leitura

(Bloomberg) -- Representantes do Banco Central Europeu revelaram diferenças de opinião na terça-feira sobre os próximos passos que a instituição deve tomar para apoiar a economia da zona do euro e elevar a inflação.

Integrante do banco holandês, Klaas Knot disse que o BCE deve esperar por mais informações sobre o estado da economia antes de decidir se mais estímulos são necessários. Horas depois, o comandante do Banco da Espanha, Pablo Hernandez de Cos, declarou que a perspectiva econômica da região era “altamente incerta” e que “não há espaço para complacência”.

O BCE se aproxima da próxima reunião de política monetária, em 28 e 29 de outubro, enquanto cresce o temor de que novas restrições para conter os casos de coronavírus possam prejudicar a recuperação da região. A expectativa é de desaceleração econômica neste trimestre. A confiança dos investidores na economia da Alemanha despencou em outubro.

“Estímulo monetário significativo precisará ser mantido até alcançarmos uma recuperação sólida”, disse Hernandez de Cos durante uma apresentação online. “Além disso, não podemos descartar a possibilidade” de que as medidas existentes “precisem de calibragem ou novas medidas introduzidas”.

Já Knot foi mais otimista. Ele disse a repórteres que não estava claro como o recente aumento no contágio pesaria sobre a atividade. Dados do terceiro trimestre serão fundamentais para avaliar o vigor da economia.

“No momento, essa informação ainda não está disponível”, afirmou Knot. “Há razões para acreditar que a segunda onda terá impacto menos dramático no crescimento econômico do que a primeira onda. É claro que isso vai achatar a recuperação, mas precisamos de tempo para interpretar isso.”

O economista-chefe do BCE, Philip Lane, disse no fim de semana que a instituição irá decidir “reunião por reunião” se mais estímulo monetário será necessário. O vice-presidente da autoridade monetária, Luis de Guindos, argumentou na segunda-feira que há tempo para decidir, uma vez que foram gastos menos da metade dos 1,35 trilhão de euros já anunciados sob o programa emergencial de compra de títulos.

É amplamente esperado que o programa seja expandido em dezembro.

Tanto Knot quanto Hernandez de Cos concordaram que o estímulo monetário do BCE e a resposta fiscal dos governos europeus ajudaram a suavizar o impacto da pandemia sobre trabalhadores e empresas.

“É por isso que não devemos reduzir essas medidas de apoio rápido demais”, disse Knot.

Para Hernandez de Cos, os governos precisam manter a ajuda fiscal por enquanto. “Os danos causados pela retirada prematura das medidas de apoio excederiam o possível custo de mantê-las até que a recuperação mostre sinais de força suficiente”, disse ele.

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