BCE: Riscos à zona do euro diminuem, mas persistem

As dificuldades nos mercados financeiros da zona do euro têm diminuído "substancialmente" desde o meio do ano, como resultado da promessa do Banco Central Europeu (BCE) de comprar quantidades ilimitadas de bônus dos governos, informou hoje o BCE em seu relatório trimestral sobre estabilidade financeira. O banco acrescentou que a região está mais perto da integração econômica.

O BCE alertou, no entanto, que os mercados financeiros e de dívida continuam "prejudicados" apesar de suas ações, e destacou uma série de riscos à estabilidade financeira que ainda permanecem.

O relatório foi divulgado após dados de hoje mostrarem que o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro subiu para 47,3 em dezembro, de 46,5 em novembro, segundo dados preliminares da Markit. Apesar da alta, o indicador continua abaixo de 50, sugerindo uma contração da atividade pelo 11º mês seguido. O dado, por outro lado, bateu seu maior nível em nove meses e indica que a retração já superou seu pior momento. A previsão dos analistas era de que o indicador avançaria para 46,8.

Em coletiva de imprensa em Frankfurt, o vice-presidente do BCE, Vitor Constancio, disse aos jornalistas que "a intensidade das espirais destrutivas foi dissipada" com o novo programa de compra de bônus do BCE, conhecido como Transações Monetárias Completas (OMT, na sigla em inglês). O banco prometeu, sob o programa, conduzir compras condicionais e teoricamente ilimitadas de bônus dos governos dos países que estão em dificuldade.

Segundo Constancio, a melhora nas condições do mercado também pode ser explicada pelas decisões do Conselho Europeu em junho, quando os governos concordaram em caminhar no sentido de uma união bancária com o mecanismo único de supervisão (SSM, em inglês). Ele alertou, porém, que "a situação continua muito frágil em diversas maneiras".

O relatório do BCE alertou para possíveis riscos à estabilidade financeira provocados pela piora da crise da dívida se as medidas discutidas não forem implementadas e pela deterioração dos lucros e qualidade do crédito dos bancos. O BCE também destacou os riscos ao orçamento das famílias com o aumento do desemprego e uma "possível correção no valor dos imóveis".

Para amenizar esses riscos, o BCE pressionou os governos a continuarem com as "tão necessárias" reformas, frisando que as políticas do BCE podem somente criar "espaço para respirar" para que os governos possam agir.

Perguntado sobre o acordo alcançado ontem para a criação de um único supervisor bancário na zona do euro centrado no BCE, Constâncio afirmou que o acordo que engloba 150 bancos é "mais que suficiente". "Esses 150 bancos representam 85% do total de ativos dos bancos da zona do euro", disse.

Constâncio pressionou os governos a criarem uma resolução única para os bancos, mas frisou que ela não deve se tornar uma ferramenta para resgatá-los. Ele afirmou também que as novas regras de capital para os bancos, conhecidas como Basileia III, não serão implementadas em 2013. As informações são da Dow Jones.

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