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BCE pode seguir passos do Fed e permitir inflação acima da meta

Alexander Weber e Piotr Skolimowski
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que vale a pena examinar uma estratégia ao estilo da adotada pelo Federal Reserve, que permita à inflação subir temporariamente acima da meta da instituição.

Uma política de se comprometer a compensar a inflação baixa depois de não cumprir a meta por um tempo “poderia ser examinada” como parte da revisão estratégica da instituição, disse Lagarde em conferência em Frankfurt na quarta-feira.

“Se for convincente, tal estratégia pode fortalecer a capacidade da política monetária de estabilizar a economia quando confrontada com o limite inferior”, disse Lagarde. Segundo ela, isso ocorre porque a promessa de inflação acima da meta “aumenta as expectativas de inflação e, portanto, reduz as taxas de juros reais.”

As observações de Lagarde são, indiscutivelmente, o sinal mais forte de que o BCE mudará seu objetivo após ficar aquém da meta “abaixo, mas perto de 2%” por anos, apesar do amplo estímulo monetário. Embora a presidente do BCE tenha dito que não estava apresentando conclusões, destacou que fatores estruturais como a globalização têm mantido a inflação sob controle.

Lagarde não comentou sobre as perspectivas imediatas para a política monetária, embora tenha dito que a ancoragem das expectativas de inflação com base no mercado de longo prazo possa ter se abrandado.

O BCE, com sede em Frankfurt, iniciou sua primeira revisão abrangente em quase duas décadas no fim do ano passado, antes de ser adiada pela pandemia de coronavírus. A revisão cobre uma ampla gama de tópicos, como meta de inflação, mudanças climáticas e digitalização.

O Fed decidiu no início do ano começar a mirar uma meta de inflação média de 2%, o que permitiria que o índice fique acima do objetivo para compensar períodos anteriores abaixo da meta. Isso sugere que o Fed deve manter a política monetária dos EUA frouxa por mais tempo.

O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, - que falou no mesmo evento - pediu que as autoridades monetárias sejam cautelosas ao fazer mudanças na estratégia do BCE, e repetiu seus alertas de que compras de títulos em grande escala podem obscurecer a linha entre política monetária e fiscal.

“Quanto mais interpretamos nosso mandato, maior o risco de nos envolvermos com política e nos sobrecarregarmos com muitas tarefas”, disse. “Como consequência, nossa independência pode ser questionada, e com razão”.

Preços em queda

A recessão recorde causada pela pandemia aumenta o desafio do BCE. A Alemanha, maior economia da Europa, registrou a queda mais forte de preços ao consumidor em mais de cinco anos na terça-feira. Os dados para a zona do euro saem na sexta-feira.

Lagarde reconheceu que os preços na região cairão nos próximos meses, mas disse que devem subir novamente no início de 2021. Isso pode não ser suficiente para algumas autoridades, que começaram a preparar o terreno para mais estímulos monetários.

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