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BCE enfrenta o dilema clássico dos mercados emergentes

(Bloomberg) -- O Banco Central Europeu será pressionado a manter uma postura agressiva - mesmo quando os dados se deterioraram e uma recessão se instaura em toda a Europa - diante do risco crescente de saídas de capital

É um dilema mais comum para os bancos centrais de países emergentes. Mas a Europa não pode se dar ao luxo de baixar a guarda. A saída de capital é um risco considerável quando uma moeda está seriamente comprometida por uma dependência energética aguda, como o euro está agora.

O impressionante superávit do balanço de pagamentos da Europa com o resto do mundo está diminuindo rapidamente. Durante a maior parte da década passada, a zona do euro teve o segundo maior superávit comercial do mundo, impulsionado pela Alemanha. Mas o forte aumento dos preços de energia corroeu isso a uma velocidade impressionante, com a balança comercial da região agora em déficit.

Os dados da zona do euro para a conta corrente divulgados na quarta-feira confirmam o rápido declínio observado nos números da balança comercial. A conta corrente continua superavitária por enquanto no acumulado de 12 meses. Mas a conta de serviços e transferências também está deficitária, então a conta corrente logo seguirá o mesmo rumo.

Isso já seria problema suficiente, mas a Europa também está enfrentando uma recessão. Um dos melhores indicadores de recessão na Europa é a base monetária M1. O crescimento real do M1 caiu rapidamente antes das duas últimas recessões da zona do euro. No ano passado, o M1 real entrou em colapso e agora está se contraindo em termos anuais.

Isso coloca o BCE em um beco sem saída. O superávit em conta corrente da zona do euro foi um pilar natural de apoio ao euro. Agora que esse suporte foi removido, o BCE provavelmente será forçado a aumentar juros mais do que teria feito não fosse isso, exacerbando a desaceleração.

O risco de saída de capital manterá o BCE agressivo diante de dados econômicos fracos, com taxas de curto prazo tendendo para cima e balanço de pagamentos frágil.

  • NOTA: Simon White é macro estrategista do blog Markets Live da Bloomberg. As observações que faz são suas e não pretendem ser um conselho de investimento.

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