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BCE amplia papel no combate à mudança climática

·2 minuto de leitura
Presidente do BCE, Christine Lagarde

Por Balazs Koranyi

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) divulgou nesta quinta-feira planos para levar a mudança climática mais em conta em suas principais decisões sobre política monetária, a mais recente de uma série de medidas dos maiores bancos centrais do mundo para reconhecer seu papel no tema.

Detalhando os resultados de uma revisão estratégica há muito aguardada, o BCE disse que a mudança climática será um fator nas políticas relacionadas à revelação de informações financeiras, de avaliação de risco, de colateral e das compras de ativos de seu setor corporativo.

"Olhando para a frente, o BCE ajustará a estrutura que guia a alocação de compras de títulos corporativos para incorporar critérios sobre a mudança climática, em linha com seu mandato", disse o banco, que determina a taxa de juros da zona do euro, de 19 países.

"Estas incluirão o alinhamento dos emissores com, no mínimo, a legislação da UE (União Europeia) para a implantação do acordo de Paris através de métricas relacionadas à mudança climática ou compromissos dos emissores com tais objetivos", acrescentou o BCE em um comunicado.

A medida torna o BCE uma das entidades monetárias mais progressistas em relação ao tema da mudança climática. O Federal Reserve, banco central norte-americano, admite que esta tem consequências econômicas, mas diz que não a considera em decisões sobre política monetária.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, que defende com grande ênfase a necessidade de ações climáticas e compartilha plataformas com ativistas como David Attenborough, fez da questão uma prioridade de seus dois primeiros anos no comando para estabelecer o papel do banco nesta área.

Embora o BCE tenha dito que governos e Parlamentos têm a "responsabilidade primária" de enfrentar a mudança climática, reconheceu a necessidade de fazer mais dentro de seu próprio mandato devido às implicações financeiras potencialmente imensas tanto dos efeitos de eventos climáticos extremos quanto dos esforços globais para reduzir as emissões de carbono.

Os bancos centrais divergem sobre o quão profundamente deveriam se envolver em políticas mais abrangentes contra a mudança climática.

Intensamente pressionado por parlamentares republicanos, o norte-americano Fed está entre os mais reticentes. Embora tenha começado a realizar mais pesquisas sobre as implicações econômicas da mudança climática, seu presidente, Jerome Powell, insiste se tratar de uma questão do governo, e não algo relacionado com a política monetária.

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