BC: redução significativa de juros não deve se repetir

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, disse nesta quinta-feira que, provavelmente, não haverá repetição da redução significativa das taxas de juros ao tomador verificadas no primeiro semestre de 2012. "Isso não tende a se repetir. É um evento isolado. Agora a vida segue, e o setor de serviços vai continuar no seu crescimento tendencial", afirmou, ao comentar o impacto da redução dos spreads sobre o crescimento do setor.

Sobre a hipótese de manutenção do preço da gasolina, usadas nas previsões de inflação, Hamilton disse que, se esse cenário mudar, o BC irá incorporar a informação às suas projeções. "As hipóteses podem ser alteradas a favor ou contra inflação mais baixa."

Em relação à cotação de R$ 2,05 para o dólar, usada nas projeções de inflação no cenário de referência, Hamilton afirmou que esse valor era "mais razoável" do que R$ 2,10 no dia 7 de dezembro, data de corte do relatório de inflação divulgado hoje. Naquele dia, o dólar fechou a R$ 2,087 no balcão.

Ele disse que uma depreciação cambial de 10% geraria um impacto de 0,6 ponto porcentual na inflação em 12 meses, ao ser questionado sobre a atuação do BC no mercado de câmbio. Mas salientou que alguns economistas dizem que esse cálculo não vale para o outro lado, para uma apreciação cambial.

A instituição não está confortável com as projeções de inflação divulgadas hoje para 2012, 2013 e 2014, que mostram uma taxa acima do centro da meta de 4,5%. "Trabalhamos com cenário de recuo da inflação. A visão é que o cenário é factível, a inflação tende sim a se aproximar da meta." O diretor evitou prever a data para o início da queda da inflação em 12 meses.

De acordo com Hamilton, a indexação da economia brasileira é um fator que explica a resistência da inflação no País mesmo em um ambiente de atividade mais fraca. A projeção do BC para o IPCA ao final do ano é de 5,7% e a do Produto Interno Bruto (PIB), de 1%, conforme Relatório Trimestral de Inflação apresentado hoje.

"Temos uma economia bem indexada e isso é uma coisa que explica porque a inflação não recua mais rapidamente", disse. Ele citou também a recuperação da atividade e o movimento de alta dos salários.

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