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BC prevê inflação de 8,5% em agosto e estouro do teto da meta em 2021

·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, BRASIL, 25-04-2013 - Banco Central, no Setor Bancário Sul, em Brasília (DF). (Foto: Sergio Lima/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, BRASIL, 25-04-2013 - Banco Central, no Setor Bancário Sul, em Brasília (DF). (Foto: Sergio Lima/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O BC (Banco Central) prevê que a inflação alcance 8,5% no acumulado de 12 meses até agosto, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (24). Para a autoridade monetária, depois disso, o indicador cairia progressivamente até chegar em 5,8% no fim de 2021, 0,55 ponto percentual acima do teto da meta para o ano.

A estimativa do BC é de alta mensal de 0,62% em junho, de 0,39% em julho e de 0,26% em agosto, acúmulo de 1,28% no trimestre.

Em maio, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado a inflação oficial, acumulou alta de 8,06%, com aceleração de 0,83% no mês, a maior para o período desde 1996.

De acordo com o documento, o risco de o indicador romper o teto subiu para 74%. No documento anterior, de março, a probabilidade era de 41%. A chance de ficar abaixo do piso da meta é zero, segundo o BC.

A meta fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3,75% com tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo. Dessa forma, a inflação precisa fechar o ano entre 2,25% e 5,25%.

Quando a inflação não fica dentro do intervalo determinado, o presidente do BC precisa escrever uma carta aberta ao presidente do conselho, que é o ministro da Economia, Paulo Guedes, para explicar os motivos.

"A inflação de curto prazo manteve-se pressionada, com destaque para a continuidade da alta dos preços das commodities, para a persistência do cenário de restrições de oferta de alguns materiais e insumos e para a deterioração do cenário hídrico, que tem rápida repercussão sobre o preço da energia elétrica mediante o acionamento de bandeiras tarifárias", disse o texto.

O BC ressaltou que esses fatores mais do que compensaram os efeitos desinflacionários do agravamento da pandemiasobre os preços de serviços e da recente apreciação do real.

Dentro da projeção central do BC, de 5,8%, os preços atingiriam o pico no segundo trimestre, com acúmulo de 8,4% nos 12 meses. No pior cenário traçado pela autoridade monetária, a inflação pode chegar a 6,4% e na melhor hipótese, a 5,2%.

"A pressão inflacionária também se mostrou mais forte do que os analistas de mercado antecipavam", destacou o texto.

Para 2022, a projeção central é de 3,5% e o risco é de 14% tanto para romper o teto, quanto para ficar abaixo do piso.

No relatório, o BC também revisou para cima a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2021 para 4,6%, 1 ponto percentual acima do estimado no documento anterior.

"Apesar da redução significativa dos riscos para a recuperação econômica, ainda há bastante incerteza sobre o ritmo de crescimento", diz o texto.

Entre os fatores que podem diminuir o crescimento, o BC apontou o risco de surgimento ou disseminação de novas variantes do novo coronavírus, dificuldade para obtenção de insumos e custos elevados em algumas cadeias produtivas e a crise hídrica.

Para o BC, o agravamento da pandemia em março deste ano teve efeito econômico menor que o observado no início da crise, no mesmo mês de 2020.

"O desempenho positivo [do PIB do primeiro trimestre] ocorreu a despeito do ambiente de recrudescimento da pandemia da Covid-19 e da retirada do auxílio emergencial para pessoas em situação de vulnerabilidade, superando as expectativas que grande parte dos analistas econômicos", afirmou o relatório.

Para o mercado de crédito, o BC projeta crescimento de 11,1% em 2021, ante 8% no relatório anterior. Segundo o texto, a revisão foi feita "refletindo o bom desempenho no início do ano e a evolução da atividade econômica".

O BC também destaca alta em linhas de crédito habitacional e rural, além do retorno do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte).

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