Mercado fechado

BC não sabe até quando entesouramento pela população perdurará, diz diretora

Por Gabriel Ponte
·2 minuto de leitura
Brazilian real coins are seen in this picture illustration taken in Rio de Janeiro
Brazilian real coins are seen in this picture illustration taken in Rio de Janeiro

Por Gabriel Ponte

BRASÍLIA (Reuters) - A diretora de Administração do Banco Central (BC), Carolina de Assis Barros, disse nesta quarta-feira que a autoridade monetária não sabe precisar por quanto tempo vão perdurar os efeitos do entesouramento na economia observados desde o início da pandemia do coronavírus, no mês de março.

"Em momentos de incerteza, as pessoas tendem a fazer saques e acumular dinheiro, acumular reserva", afirmou a diretora em coletiva virtual, destacando que essa demanda maior por moeda em espécie também foi presenciada em outras economias.

Em apresentação, a diretora mencionou que entre as possíveis causas para o entesouramento no país estão a formação de reservas por pessoas e empresas e a redução do volume de compras no comércio com o isolamento social.

"O Banco Central acredita também que aqueles beneficiários do auxílio emergencial, que receberam o seu benefício em espécie, também não retornaram esse dinheiro ao sistema bancário com a velocidade que a gente esperava", completou Barros.

Ainda de acordo com a diretora, a quantidade de papel moeda em poder do público aumentou em 61 bilhões de reais entre março e julho deste ano. "O Banco Central entende que a quantidade de papel moeda em circulação é adequada para fazer frente às diferentes necessidades da população", afirmou, frisando não haver falta de numerário.

O BC anunciou nesta quarta-feira que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o lançamento de uma cédula de 200 reais, que terá como personagem o lobo-guará, com a previsão de entrar em circulação a partir do fim de agosto.

Questionada sobre eventual contradição entre a medida e a agenda de modernização do sistema financeiro, que vem sendo implementada pela autarquia, Barros afirmou que as ações não concorrem entre si.

"O que a gente está vendo, nesse momento, é uma demanda da população por meio circulante. É papel do Banco Central atender essa demanda por meio circulante", justificou.

A diretora também informou não haver relação entre a colocação dessa nova cédula no mercado e desvalorização do real.