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BC não deixaria de subir juros por impacto na dívida, diz diretor

LARISSA GARCIA
·4 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fábio Kanczuk, afirmou nesta quinta-feira (8) que não vê evidências de que o país esteja sob dominância fiscal atualmente, mas ressaltou que não se trata de "um problema" da autoridade monetária. "Não vejo evidências de dominância fiscal agora, eu realmente não vejo. As variáveis estão se comportando de maneira tradicional. [...] No fim, dominância fiscal não é problema nosso. Se você é um investidor, você quer isso, não quer que o BC sirva à política fiscal", destacou em evento virtual promovido pelo BNY Mellon. Dominância fiscal é quando a política monetária depende do controle das contas públicas e da dívida para conter a inflação. Nesse cenário, quando o BC eleva a taxa básica de juros, a dívida aumenta a ponto de gerar mais inflação. Kanczuk afirmou que o BC não deixaria de subir juros por causa do impacto da Selic na dívida pública. "Consideramos os riscos fiscais o tempo todo. No último relatório de inflação traçamos cenários alternativos em que há questionamentos sobre sustentabilidade fiscal e o prêmio de risco sobe, a taxa de juros neutra cresce, o Real se desvaloriza e a inflação aumenta", detalhou. "Mas não podemos deixar de subir juros porque temos um problema fiscal, é preciso subir [a taxa básica] porque temos que tomar conta da inflação. Se temos mais inflação, não questionamos se vai gerar mais dívida ou se o custo da dívida vai aumentar porque a Selic está mais alta, não se leva isso em consideração", avaliou. Como a maior parte da dívida pública é atrelada à taxa básica de juros, quando há elevação, o governo paga mais caro pelo endividamento. Ele ressaltou que o compromisso principal do BC é controlar a inflação. "Não é meu papel dizer qual é a melhor política fiscal para o país, estou aqui como Banco Central, não fui eleito. A sociedade por meio do Congresso vai decidir isso. Vamos apenas reagir e ver qual é o impacto na inflação", pontuou. O diretor disse também ter dúvidas se o país já esteve em dominância fiscal. "Em 2002 eu estava convencido de que havia dominância fiscal, mas agora tenho dúvidas. Não sei se nós já estivemos em dominância fiscal", analisou. Kanczuk avaliou que o mercado de trabalho reagiu melhor que o esperado à crise e reiterou que o BC não vai tolerar uma inflação mais alta para fomentar o emprego. ​"Em termos de inflação, que no fim do dia é o com o que nos importamos, o desemprego não vem sendo uma boa variável para projetar inflação, mas isso pode mudar", afirmou. "Não vamos ter isso como desculpa para não ter a inflação na meta", completou. Mais tarde, em outro evento promovido pela Consulting House, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, afirmou que, apesar da pandemia de Covid-19, a economia se recuperou. "O cenário mudou da água para o vinho desde quando cortamos os juros a 2% ao ano [menor patamar da história]. Isso em termos de economia, porque a pandemia continua muito grave, mas a atividade retomou. Estamos nos ajustando a isso", disse ao justificar a recente alta de 0,75 ponto percentual na Selic. Ele explicou que quando a autoridade monetária reduziu a taxa básica ao seu menor nível, as expectativas eram de inflação baixa e queda acentuada da atividade econômica. O pacote de estímulos, com auxílio emergencial e linhas de crédito subsidiadas pelo governo, fizeram com que o tombo na economia fosse menor ao final de 2020, de 4,1%. A inflação, por outro lado, foi a 4,52%, pressionada por alimentos e combustíveis. Para tentar conter a escalada de preços, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a Selic em 0,75 ponto percentual, a 2,75% ao ano, em 17 de março. A alta veio acima das expectativas do mercado. Serra ressaltou que, apesar do impacto das novas medidas de restrição em março e abril, a economia deverá se recuperar no segundo semestre com o avanço da vacinação contra o coronavírus. "Podem haver surpresas positivas nesse sentido." Para o diretor, o mercado de trabalho formal também poderá se recuperar rapidamente. "A gente vê o Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados] voltando aos níveis pré-pandemia. Se tivesse um viés, seria de mais crescimento de emprego formal que de crescimento do PIB [Produto Interno Bruto]", destacou.