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BC muda metodologia e exclui Santander de cálculo de concentração bancária

*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, BRASIL, 11.01.2022 - Fachada do Banco Central do Brasil, em Brasília. Autarquia analisa projetos para criação de uma moeda digital. (Foto: Antonio Molina/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, BRASIL, 11.01.2022 - Fachada do Banco Central do Brasil, em Brasília. Autarquia analisa projetos para criação de uma moeda digital. (Foto: Antonio Molina/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Banco Central passou a adotar uma nova metodologia para mensurar a concentração do sistema financeiro, considerando apenas as quatro maiores instituições do país, e não mais os cinco maiores bancos. Com isso, o Santander, que ocupa a quinta posição, ficou de fora.

Pela nova métrica, a redução da concentração do mercado de crédito nas mãos dos quatro maiores bancos foi marginal, passando de 59,4% para 59,3% entre 2020 e 2021, ou seja, queda de 0,1 ponto percentual.

Pelo critério antigo, considerando os cinco maiores bancos do país no mercado de crédito, a concentração voltou a cair em 2021.

Apesar do recuo, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander concentraram 67,9% das operações, segundo o Banco Central no relatório de economia bancária divulgado nesta quinta-feira (6).

O documento mostra em um de seus anexos que houve queda de 0,6 ponto percentual em relação a 2020, quando o grupo dos cinco detinha 68,5% do mercado de crédito. Em dezembro de 2018, esse índice de concentração era de 70,9%.

Os dados consideram, além do setor bancário, o segmento não bancário, que inclui fintechs e cooperativas de crédito.

ENTENDA A MUDANÇA DE METODOLOGIA

Segundo o BC, a última edição do relatório passou a adotar conceito "tradicionalmente empregado na literatura e por organismo multilateral". Com a mudança, a autoridade monetária brasileira se alinhou à regra utilizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

De acordo com Gomes, a nova metodologia é mais comum internacionalmente e mais informativa sobre a concentração do sistema. As regras de capital, por sua vez, não sofreram alterações.

"É mais informativo um índice que pegue um topo mais qualificado do mercado. De toda maneira, não há nenhuma razão se não a adequação à prática internacional", disse. "A inclusão ou não da quinta maior instituição não altera nenhuma das conclusões do relatório", acrescentou.

Para a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o BC introduziu aperfeiçoamentos importantes na sua metodologia, permitindo uma melhor comparação com outros países e um diagnóstico "mais amplo e aprofundado" do nível de concentração no setor bancário.

"De acordo com o BC, a intenção é permitir uma melhor comparação com outros mercados que em sua maioria adotam esta razão de concentração (RC4), o que é muito bem-vindo. Vale notar que a OCDE também adota tal prática, o que significa uma convergência para os padrões da entidade, dado o interesse do Brasil em ingressar na organização", destacou a entidade em nota.