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BC cita inércia, petróleo e alimentos entre causas da inflação acima da meta

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - Inércia inflacionária, gargalos globais e elevação de preços das commodities são fatores que explicam o descumprimento da meta de inflação em 2022, além choques em preços de alimentos e retomada na demanda de serviços e no emprego, afirmou nesta terça-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Em carta ao ministro da Fazenda para justificar o estouro meta, Campos Neto acrescentou que as projeções do BC atualizadas em dezembro são de que a inflação seguirá em queda neste ano, terminando 2023 em 5%, nível inferior ao de 2022, mas ainda acima do teto da meta, de 4,75%.

"Nesse cenário, em 2023, a inflação ainda se mantém superior à meta, em virtude principalmente da hipótese do retorno da tributação federal sobre combustíveis nesse ano e dos efeitos inerciais da inflação de 2022", disse.

Segundo Campos Neto, esses efeitos são contrabalançados pela política monetária, que "avançou substancialmente no terreno contracionista", embora não de forma integral porque a política de juros gera impactos mais relevantes no médio prazo.

Para 2023, de acordo com o boletim Focus divulgado pelo BC, o mercado espera que a inflação ao consumidor medida pelo IPCA fique em 5,36%, distante do centro da meta, de 3,25%, e acima do teto de 4,75%.

Apesar do nível de preços ainda elevado neste ano, Campos Neto disse que o cenário é de convergência da inflação para a meta, com as projeções do IPCA em 3% em 2024 e 2,8% em 2025, ambos com meta de 3%.

Esta é a sétima vez no Brasil que um presidente do BC apresenta carta ao ministro da Fazenda (ou da Economia), que preside o Conselho Monetário Nacional, para justificar o descumprimento da meta de inflação do ano anterior.

As explicações já foram dadas nas aberturas de 2002, 2003, 2004, 2016, 2018 e 2021. Na mais recente, Campos Neto havia afirmado que estava tomado as devidas providências para que o IPCA atingisse as metas nos anos seguintes.

A regra determina que o presidente do BC divulgue a carta sempre que a inflação encerrar o ano fora dos intervalos de tolerância para o IPCA.

No regime de metas para a inflação, em vigor desde 1999, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define um alvo para o IPCA de cada ano, além de um intervalo de tolerância. Em 2022, a meta de inflação era de 3,5%, com limite máximo de 5,0%.

O IBGE (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) informou nesta terça-feira que inflação ao consumidor do Brasil fechou 2022 com alta acumulada de 5,79% e superou o teto da meta pelo segundo ano seguido com um resultado acima do esperado, pressionada principalmente por alimentação.

Entre os principais fatores para o desvio da inflação de 2022 em relação à meta, Campos Neto detalhou que a inércia herdada de 2021 contribuiu com 2,74 pontos percentuais de alta. As expectativas para a inflação responderam por 1,02 ponto.

Em relação a fatores gerados por gargalos e quebras de safra, o presidente do BC disse que os preços de alimentos no domicílio contribuíram com uma alta de 1,01 ponto no índice. A parcela de bens industriais correspondeu a 1,13 ponto.

Por outro lado, houve contribuição de baixa nos preços com o corte de tributos sobre combustíveis e outros serviços (-2,33 pontos) e a mudança na bandeira tarifária de energia (-1,02).

A alta do real frente ao dólar representou fator de baixa de 0,73 ponto percentual para a inflação, com o BC afirmando que "a taxa de câmbio amorteceu o aumento do preço de commodities".