BC: endividamento das famílias atinge 44,46% em agosto

O endividamento do brasileiro bateu novo recorde em agosto. Segundo o Banco Central, a dívida total das famílias correspondia, naquele mês, a 44,46% da renda acumulada nos últimos 12 meses, superando os 44,04% de julho. Outro indicador, que mostra o comprometimento de renda dos brasileiros com o pagamento mensal de dívidas, também cresceu em agosto, para 22,36%, dos 22,12% verificados no mês anterior. É o maior porcentual da série histórica iniciada em 2005, junto com o dado de junho, que também era de 22,36%. Os números mostram ainda que o aumento nesse último indicador tem se dado, principalmente, na parcela dos salários destinada ao abatimento da dívida.

Já o comprometimento com pagamento de juros caiu em relação ao início do ano. Segundo o BC, 7,87% dos ganhos foram usados para pagamento de juros em agosto, abaixo do recorde de 8,13% verificado em janeiro de 2012. Outros 14,48% foram para amortização do principal das dívidas, porcentual recorde, acima dos 14,30% de julho.

O BC tem atribuído o aumento nesses indicadores, entre outros pontos, à ampliação do crédito imobiliário, que são dívidas de alto valor, mas com prazo de pagamento mais longo. Esse é um dos fatores que explica a diferença entre o endividamento total e a parcela que é usada mensalmente para pagar dívidas. Além disso, a instituição vem afirmando que muitos consumidores trocaram o comprometimento da renda com aluguel pela prestação da casa própria.

Na semana passada, o diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Sistema Financeiro do BC, Luiz Awazu Pereira, afirmou também que o grau de endividamento de famílias, empresas e governo, no Brasil, é muito mais baixo que em países avançados em crise. O comprometimento da renda é apurado pelo BC com base nos valores mensais a serem pagos no serviço das dívidas, apenas com o sistema financeiro, e na renda das famílias (descontados os impostos), expressa na Massa Salarial Ampliada Disponível. O endividamento total considera a massa salarial em 12 meses. Os números são revisados e atualizados mensalmente pela instituição.

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