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BC eleva a Selic em 0,5 ponto, a 13,25%, e indica nova alta em agosto

***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 08-02-2019 - Still Mercado. Calculadora científica. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 08-02-2019 - Still Mercado. Calculadora científica. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou nesta quarta-feira (15) a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, de 12,75% a 13,25% ao ano, e indicou que o ciclo de aperto monetário não terminou.

Diante do cenário de incertezas e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, o colegiado do BC sinalizou que o aumento de juros se estenderá para a próxima reunião, em agosto, quando prevê uma nova alta de igual ou menor magnitude.

"O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas", afirmou.

Para justificar o próximo movimento, disse: "O Comitê nota que a crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação."

A Selic atingiu o patamar mais alto em quase cinco anos e meio. Em janeiro de 2017, a taxa de juros estava em 13,75% ao ano, durante o governo de Michel Temer (MDB).

O Copom começou a subir os juros em março de 2021, quando a Selic partiu de seu piso histórico, em 2% ao ano. O Brasil foi um dos primeiros países entre as principais economias do mundo a fazer esse movimento.

Desde o início do ciclo de aperto monetário, há mais de um ano, já são 11 altas consecutivas.

Neste encontro, o colegiado do BC manteve o plano sinalizado na reunião anterior, em maio, de que faria um novo ajuste de menor magnitude depois de subir a taxa de juros em 1 ponto percentual. Entre outubro de 2021 e fevereiro deste ano, foram três altas de 1,5 ponto percentual.

O atual choque de juros, que desde o primeiro movimento acumula elevação de 11,25 pontos percentuais, já é o mais longo da série histórica e o mais forte desde a adoção do regime de metas para inflação, em 1999. Na época, a taxa básica saltou de 25% para 45% ao ano.

A decisão do Copom desta quarta veio em linha com a projeção do mercado financeiro. Levantamento feito pela Bloomberg mostrou que a maioria dos analistas consultados esperava elevação de 0,5 ponto percentual na Selic.

Com a taxa básica em dois dígitos e em território bastante contracionista, o BC responde a uma inflação persistente e disseminada e à deterioração das expectativas para 2023.

Dada a defasagem dos efeitos da política monetária na economia, o colegiado já toma sua decisão sobre os juros olhando integralmente para a meta de inflação próximo ano –fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 3,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

"O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2023", afirmou.

Para Mauricio Oreng, superintendente de pesquisa macroeconômica do Santander, o comunicado não traz muita clareza quanto à totalidade do plano de voo do BC e espera mais detalhes na ata, que será divulgada na próxima terça (21).

"Tem uma sutileza que eles falam de buscar a inflação ao redor da meta, não na meta. Não sei dizer se, de fato, é uma sinalização ou só uma questão de redação, mas me parece que o BC pode estar preparando terreno para alguma suavização da trajetória de juros, vendo um ambiente muito difícil de atingir a meta central no ano que vem", comentou.

​Nas últimas semanas, entraram no radar novas percepções de risco fiscal com as medidas do governo para baratear os preços dos combustíveis por meio de redução de impostos.

O tema ganhou destaque no comunicado em mais de uma passagem. "Avaliou-se que as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária", afirmou o BC.

No cenário pesam também os preços de petróleo ainda bastante pressionados, as incertezas decorrentes da Guerra da Ucrânia e dos lockdowns na China e a reação das autoridades monetárias pelo mundo, sobretudo do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e do BCE (Banco Central Europeu), frente às surpresas inflacionárias.

Também nesta quarta, o Fed confirmou um aumento de 0,75 ponto percentual na sua taxa de juros. É a maior alta aplicada pela autoridade monetária dos Estados Unidos desde 1994, indicando uma postura mais agressiva do órgão no enfrentamento à maior inflação no país em quatro décadas.

No ambiente externo, o BC considerou que o cenário continuou se deteriorando, "marcado por revisões negativas para o crescimento global prospectivo em um ambiente de fortes e persistentes pressões inflacionárias".

O comitê disse também que a inflação seguiu surpreendendo negativamente, "tanto em componentes mais voláteis como em itens associados à inflação subjacente".

Na última quinta-feira (9), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 0,47% em maio. Ainda que o resultado mensal tenha ficado abaixo das expectativas do mercado, 8 dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram avanço de preços. No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 11,73%.

Devido à greve dos servidores do BC, a pesquisa Focus não foi divulgada na véspera do Copom, mas o colegiado contou com dados atualizados sobre a estimativa para inflação na decisão desta quarta –8,5% para 2022 e 4,7% para 2023.

No cenário de referência do Copom, as projeções de inflação subiram para 8,8% e 4% em 2022 e 2023, respectivamente. Na análise, optou por manter a premissa de que o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses, terminando o ano em US$ 110/barril, e passa a aumentar 2% ao ano a partir de janeiro de 2023.

"As projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação. O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual e cresceu desde a última reunião" disse.

Fernando Fenolio, economista-chefe da WHG, destaca que o comunicado mostrou um ambiente econômico internacional e local mais incerto, com destaque para a política fiscal, exigindo mais cautela por parte da autoridade monetária.

"Ele coloca [a política de subsídio ao preço dos combustíveis] como um risco, dá a sensação de que a inflação fica mais baixa neste ano pela redução mecânica do imposto, mas para o próximo ano você pode ter um efeito contrário de mais inflação ou dificultar a convergência pela questão da demanda um pouco mais forte na procura de outros bens", disse.​

O BC avaliou que permanecem fatores de risco para a inflação em ambas as direções.

Entre as condições que puxariam os preços para cima, destacou "uma maior persistência das pressões inflacionárias globais, e a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporadas nas expectativas de inflação e nos preços de ativos".

Na direção contrária, ressaltou "uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local, e uma desaceleração da atividade econômica mais acentuada do que a projetada".

A expectativa dos economistas coloca a inflação cada vez mais distante do teto do objetivo perseguido pelo BC neste ano, de 5%. A autoridade monetária já admitiu que, em 2022, a meta deve ser superada pelo segundo ano seguido. Em 2021, o IPCA atingiu 10,06%. A previsão para o próximo ano está acima do centro do alvo, mas ainda dentro do intervalo de tolerância (até 4,75%).

O Copom volta a se reunir nos dias 2 e 3 de agosto para recalibrar a Selic.

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