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BC eleva Selic a 7,75%, e indica nova alta de 1,5 p.p. em dezembro

·6 min de leitura
Sede do Banco Central em Brasília

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central aumentou o ritmo de aperto monetário diante da deterioração do cenário fiscal e promoveu uma alta de 1,5 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira, ao patamar de 7,75% ao ano, numa tentativa de debelar as crescentes pressões inflacionárias.

Em seu comunicado, o BC também indicou que deve repetir a dose, adotando outra elevação de igual magnitude na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 7 e 8 de dezembro.

Diante do quadro mais desafiador e da força da inflação, será necessário ir mais fundo no processo de levar a taxa básica para patamar em que atua no sentido de desaquecer a economia, indicou a autoridade monetária.

"O Copom considera que, diante da deterioração no balanço de riscos e do aumento de suas projeções, esse ritmo de ajuste é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante", afirmou o BC em comunicado.

"Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance ainda mais no território contracionista", completou.

Apesar de ter feito menção clara à questão fiscal, o BC não tratou os eventos relacionados à mudança do teto de gastos como uma materialização de riscos, ao assinalar que, "apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação".

O BC frisou que esses questionamentos aumentam a assimetria altista no balanço de riscos e disse que "isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico".

Para o economista da XP Rodolfo Margato, o tratamento dado ao tema deve ser um ponto de atenção do mercado, com possibilidade de alguns agentes interpretarem a postura do BC como neutra ou um "pouco dovish" (inclinado a manter o afrouxamento monetário).

A expectativa da XP, disse ele, é que depois do novo aperto de 1,5 ponto em dezembro o BC suba os juros em 1 ponto em fevereiro e mais 0,75 ponto em março, com a Selic encerrando o ciclo em 11%.

O BC atualizou no documento sua leitura sobre a atividade econômica, pontuando que indicadores divulgados desde setembro mostram uma evolução "ligeiramente abaixo da esperada". E piorou suas projeções para a inflação neste ano e no ano que vem.

"A inflação ao consumidor continua elevada. A alta dos preços veio acima do esperado, liderada pelos componentes mais voláteis, mas observam-se também pressões adicionais nos itens associados à inflação subjacente", disse o BC.

DRIBLE NO TETO

Esta foi a maior elevação na taxa básica de juros desde dezembro de 2002, quando houve aumento de 3 pontos da Selic, a 25% ao ano, em uma resposta ao derretimento do mercado e à disparada do dólar por temores associados à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência.

Desta vez, a subida ocorre após o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciarem que o Auxílio Brasil, como foi rebatizado o Bolsa Família, contará com um bônus extra e temporário no ano eleitoral de 2022, possibilitado por um drible na regra do teto de gastos, que é considerada a única âncora fiscal do país.

Com isso, o valor total do benefício, visto como crucial para impulsionar a popularidade do presidente, subirá a no mínimo 400 reais por família frente a uma média de 190 reais hoje.

Diante da manobra, encarada pelos agentes como um sinal inequívoco de afrouxamento fiscal, investidores que operam no mercado de opções digitais da B3 tinham aposta majoritária de alta de 1,50 ponto percentual da Selic no início desta quarta-feira, ao passo que economistas ouvidos pelo BC na mais recente pesquisa Focus previam elevação de 1,25 ponto.

Antes da decisão desta tarde, o BC havia elevado os juros em 1 ponto percentual em suas últimas duas reuniões do Copom, com a avaliação de que este ritmo seria suficiente para levar a inflação para a meta em 2022, horizonte que vinha destacando estar no foco de suas ações.

Mas para além dos novos riscos no cenário fiscal --com impacto direto no câmbio e no encarecimento de bens importados--, o avanço de preços na economia não deu trégua: o IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 1,2% em outubro, maior taxa para o mês em 26 anos, acumulando alta de 10,34% em 12 meses.

O desempenho superou estimativas do mercado, apontou persistentes pressões sobre os núcleos --que desconsideram preços mais voláteis--, e levou grandes bancos e casas de investimento a esperarem um reação mais contundente do BC nesta quarta-feira.

Dando lastro à postura mais agressiva que adotou, o BC passou a enxergar uma inflação mais alta em 2022. Agora, a autoridade monetária vê IPCA de 4,1% no ano que vem, ante 3,7% anteriormente, mais distante da meta central de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

Para este ano, o BC enxerga inflação de 9,5% (8,5% antes) e para 2023 a expectativa é de alta de 3,1% (3,2% antes), contra metas de 3,75% e 3,25%, respectivamente, também com margem de 1,5 ponto.

No Focus, as estimativas dos economistas são de IPCA de 8,96% em 2021, 4,40% em 2022 e 3,27% em 2023.

Na visão da estrategista-chefe da MAG Investimentos, Patrícia Pereira, a forma como o BC vai tratar o ano de 2022 daqui para frente estará no centro das atenções do mercado, após autoridades do BC terem buscado ressaltar em eventos públicos mais recentes seu compromisso em cumprir o centro da meta no próximo ano.

"Base ficou ainda mais alta para entregar esses 3,5%. Eu imagino que o centro da meta saiu do radar e faz todo o sentido. Mas como eles vão se comunicar em relação a isso acho que é relevante, certamente mercado vai ficar de olho", afirmou ela, que também vê Selic terminal próxima a 11% em 2022.

Desde março, quando tirou a Selic da mínima histórica de 2% ao ano alcançada em meio à pandemia, o BC já elevou a taxa em 5,75 pontos.

Já o diretor da Asa Investments, Carlos Kawall, avaliou que a sequência de surpresas negativas relacionadas ao fiscal e à inflação demandaria uma ação mais dura do BC.

"Nos parecia que era melhor ele ir para o ritmo de 200 (pontos-base de alta), repetir em dezembro, e depois alcançar 12% até março. Ao fazer em ritmo de 150 torna mais desafiador chegar perto da meta em 22. O Copom está dando uma sinalização de maior aperto monetário, minha dúvida é se isso é suficiente", disse.

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