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BC eleva Selic a 5,25%, e indica que juros vão superar patamar neutro para conter inflação

·3 minuto de leitura
Pessoas passam em frente à sede do Banco Central em Brasília

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central aumentou o ritmo de aperto monetário nesta quarta-feira ao subir a Selic em 1 ponto, a 5,25% ao ano, indicando que deve repetir a dose em setembro diante das pressões inflacionárias.

Para domá-las, o BC também apontou que a necessidade agora é de uma taxa básica de juros acima do patamar neutro, ou seja, em nível suficiente para desaquecer a economia.

Antes, a comunicação do BC destacava que o processo de ajustes na Selic mirava a normalização da taxa de juros para a neutralidade.

"O Copom considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação", afirmou o Comitê de Política Monetária do BC, em comunicado.

"Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro", acrescentou o texto.

Em pesquisa Reuters, 37 dos 46 economistas ouvidos pela Reuters estimavam uma elevação na Selic nesta magnitude. Os nove restantes previam que a alta seria menor, de 0,75 ponto.

Esta foi a quarta vez seguida que o BC subiu os juros básicos, mas a primeira desde fevereiro de 2003 em que lançou mão de um aperto de 1 ponto percentual.

Quando iniciou a elevação na Selic em março, após deixá-la por quatro reuniões seguidas na mínima histórica de 2%, o BC assinalou que buscava a normalização parcial da taxa, reduzindo assim o estímulo que buscou injetar na economia após a crise com a pandemia de coronavírus ter levado a atividade a sofrer um tombo recorde no ano passado.

Mas já em junho, quando se reuniu pela última vez, o Copom passou a indicar que mirava a normalização da taxa de juros para o patamar considerado neutro, em que a Selic não aquece e nem esfria a economia. Esse nível está ao redor de 6,5%, segundo indicação do próprio BC.

A mudança de agora veio na esteira de renovadas pressões inflacionárias, embaladas por preços mais altos de combustíveis e da energia elétrica.

Segundo o BC, a inflação ao consumidor continua se revelando persistente.

"Os últimos indicadores divulgados mostram composição mais desfavorável. Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos", afirmou.

"Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas. Em conjunto, esses fatores acarretam revisão significativa das projeções de curto prazo", acrescentou.

Aliado a uma recuperação econômica mais forte, o cenário já havia feito muitos agentes econômicos apostarem que o BC, na decisão desta quarta-feira, mostraria a intenção de levar os juros para além do patamar neutro para conseguir domar as expectativas de inflação para o ano que vem, horizonte que atualmente tem maior peso nas suas decisões de política monetária.

Em comunicado, o BC manteve suas previsões para o IPCA em 2022, pelo seu cenário básico, a 3,5%, indicando uma inflação em 3,2% para 2023. Já para este ano, o BC elevou a estimativa de inflação a 6,5%, sobre 5,8% antes.

O centro da meta de inflação é de 3,75% para 2021, de 3,5% para o ano que vem e de 3,25% para 2023, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

No boletim Focus mais recente, feito pelo BC junto a uma centena de economistas, as perspectivas são piores, com IPCA em 6,79% este ano, 3,8% em 2022 e 3,25% em 2023. Ao contrário do BC, portanto, o mercado já enxerga a inflação acima do centro da meta no ano que vem.

Considerado uma prévia da inflação oficial, o IPCA-15 subiu 0,72% em julho, a maior alta para o mês desde 2004, com o acumulado em 12 meses passando a 8,59%.

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