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BC eleva projeção de crescimento do estoque de crédito em 2020 para 7,6%

Fabio Graner e Estevão Taiar

Crédito às empresas neste início de crise mostrou comportamento distinto das duas crises anteriores, como forte elevação do volume de novas operações, diz a instituição O Banco Central (BC) elevou de 4,8% para 7,6% sua projeção para o crescimento do estoque total de crédito em 2020, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado nesta quinta-feira.

O financiamento para as empresas deve ter alta de 10% no ano, número bem superior ao 0,6% projetado no relatório de março. “O crédito bancário às empresas neste início de crise mostrou, em linhas gerais, comportamento distinto das duas crises anteriores: forte elevação do volume de novas operações e spread próximo ao verificado ao longo de 2019 e no primeiro bimestre de 2020. A elevação das concessões a partir da segunda quinzena de março se destaca pela intensidade. Considerando dados mensais consolidados, as concessões financiadas com recursos livres para empresas registraram nesse mês crescimento de 59,6%, maior variação mensal da série histórica”, destaca o documento.

“Em conjunto, esses movimentos parecem indicar comportamento precaucional das empresas, que optaram por reforçar o caixa. No caso das modalidades voltadas a exportadores, esse movimento foi estimulado também pela depreciação do câmbio no período, o que impulsionou as firmas exportadoras a anteciparem recebíveis em moeda estrangeira considerando a taxa de câmbio favorável”, acrescenta o RTI. O documento traz que o comportamento do spread bancário está refletindo a oferta maior de garantias.

Para as pessoas físicas, o BC reduziu a projeção de alta de 7,8% para 5,8% do crédito.

A autoridade monetária ainda revisou suas estimativas para o crescimento nominal da carteira de crédito com recursos livres, de 8,2% para 10,6%. No caso dos recursos direcionados, a estimativa variou de estabilidade para crescimento de 3,5%.

“Os efeitos preliminares da crise sanitária da covid-19 sobre o mercado de crédito foram expressivos. Pelo lado das famílias, houve sensível retração nos financiamentos de veículos, acompanhada de forte alta das renegociações. Já para as empresas, observou-se protagonismo do crédito bancário, diferindo da dinâmica do período anterior à crise. A alta das concessões refletiu, inicialmente, o comportamento das médias e grandes empresas. Porém, a partir de meados de abril, observou-se crescimento nas concessões para micro e pequenas empresas”, diz o texto.

“Houve elevação temporária nas operações de financiamento de empresas no mercado externo e no mercado de capitais, com queda para patamares inferiores aos de 2019 a partir de maio. Salvo movimentos pontuais, não há elevação pronunciada e persistente do spread”, completa o documento, salientando ainda que merece atenção o “crescimento do saldo de crédito direcionado, após vários anos de perda de participação no crédito bancário”.