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BC eleva juros a 12,75% ao ano, maior taxa desde fevereiro de 2017

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Conforme sinalizado na reunião anterior, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) novamente em 1 ponto percentual, passando de 11,75% para 12,75% ao ano, nesta quarta-feira (4).

O colegiado também indicou que o ciclo de aperto monetário, iniciado em março do ano passado, ainda não acabou e é apropriado que "continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista".

Sobre seus próximos passos, o BC antecipou que prevê um ajuste de menor magnitude, ou seja, menor do que 1 ponto percentual no encontro de junho.

"O Comitê nota que a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demandam cautela adicional em sua atuação", afirmou no comunicado da decisão.

No encontro desta quarta, o colegiado do BC repetiu a magnitude do aumento promovido em março, quando moderou o ritmo de ajustes após uma série de três altas de 1,5 ponto percentual na taxa de juros.

"O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2023", disse.

Foi a décima elevação consecutiva da Selic, que acumula alta de 10,75% desde março de 2021. Na época, a taxa de juros estava em 2% ao ano, seu menor valor histórico, como resposta à crise gerada pela pandemia de Covid-19.

Com o ciclo do aperto monetário em estágio avançado no Brasil, a Selic atingiu agora o maior patamar desde 22 de fevereiro de 2017, quando a taxa de juros estava em 13% ao ano, ainda no governo de Michel Temer (MDB).

Esse é também o maior ciclo de aperto desde a criação do sistema de metas para inflação, em 1999, quando a taxa básica foi de 25% para 45% ao ano.

A decisão do Copom desta quarta veio em linha com a projeção unânime do mercado financeiro. Levantamento feito pela Bloomberg mostrou que todos os analistas consultados esperavam elevação de 1 ponto na Selic, na tentativa de frear a inflação.

Desde o último encontro do colegiado, em março, houve uma significativa piora no ambiente inflacionário global com os choques nos preços dos combustíveis e dos alimentos decorrentes da guerra na Ucrânia, que tem se mostrado duradoura.

Os temores de novas medidas restritivas na China devido ao avanço da Covid-19 e do potencial impacto nas cadeias produtivas globais também entraram no radar, bem como o aumento dos juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) e a recente disparada do dólar, que voltou a operar acima de R$ 5.

Em março, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 1,62% e chegou a 11,30% no acumulado de 12 meses. Na última semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA-15 subiu 1,73% em abril –a maior variação para o mês em 27 anos– e alcançou 12,03%.

Internamente, o BC também passou por um período turbulento, com a mobilização dos servidores por reajuste salarial e reestruturação de carreira. A primeira etapa da greve, que durou de 1º a 19 de abril, provocou uma série de atrasos na rotina da autoridade monetária, especialmente na divulgação de indicadores financeiros, como o boletim Focus.

Mas a suspensão da greve por duas semanas, antes da retomada nesta terça (3), permitiu ao mercado tomar conhecimento da evolução das expectativas antes da reunião do Copom.

Segundo a pesquisa Focus divulgada na segunda-feira (2), a mediana das projeções dos economistas para o IPCA subiu de 7,65% para 7,89% em 2022. Para 2023, a estimativa também aumentou, passando de 4% para 4,10%.

A expectativa do mercado coloca a inflação cada vez mais distante do objetivo perseguido pelo BC, que é de 3,50% para este ano e 3,25% para o próximo, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Se as projeções para 2022 se confirmarem, será o segundo ano de estouro consecutivo da meta, que é estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Em 2021, o IPCA somou 10,06%.

O choque de juros é uma resposta do BC às sucessivas revisões para cima das expectativas de inflação. Assim, os economistas também reajustaram suas projeções para a Selic. Para 2022, a expectativa é de que os juros fechem o ano a 13,25%. Em 2023, o mercado prevê 9,25% ao ano.

O Copom volta a se reunir nos dias 14 e 15 de junho para recalibrar a Selic. Dada a defasagem nos efeitos da política monetária na economia, o colegiado do BC já olhará integralmente para a meta de 2023 em sua decisão sobre os juros.

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