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BC eleva juros a 12,75% ao ano, maior taxa desde fevereiro de 2017

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou nesta quarta (4) a taxa básica de juros (Selic) novamente em 1 ponto percentual, passando de 11,75% para 12,75% ao ano, confirmando as expectativas do mercado. O colegiado também indicou que o ciclo de aperto monetário ainda deve continuar "avançando significativamente em território ainda mais contracionista".

Com a alta, a Selic atingiu agora o maior patamar desde 22 de fevereiro de 2017, quando a taxa de juros estava em 13% ao ano, ainda no governo de Michel Temer (MDB). Foi a décima elevação consecutiva da Selic, que acumula alta de 10,75% desde março de 2021, o que faz desse ciclo de aperto o mais forte desde a criação do sistema de metas para inflação, em 1999, quando a taxa básica foi de 25% para 45% ao ano.

Sobre seus próximos passos, o BC antecipou que prevê uma nova alta, de menor magnitude, no encontro de junho.

"O Comitê nota que a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demandam cautela adicional em sua atuação", afirmou no comunicado da decisão.

"O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2023", disse.

A decisão do Copom desta quarta veio em linha com a projeção unânime do mercado financeiro. Levantamento feito pela Bloomberg mostrou que todos os analistas consultados esperavam elevação de 1 ponto na Selic, na tentativa de frear a inflação.

Desde o último encontro do colegiado, em março, houve uma significativa piora no ambiente inflacionário global com os choques nos preços dos combustíveis e dos alimentos decorrentes da guerra na Ucrânia, que tem se mostrado duradoura.

Os temores de novas medidas restritivas na China devido ao avanço da Covid-19 e do potencial impacto nas cadeias produtivas globais também entraram no radar, bem como o aumento dos juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) e a recente disparada do dólar, que voltou a operar acima de R$ 5.

No ambiente externo, o BC avaliou que o cenário seguiu se deteriorando. Na análise, pontuou que as pressões inflacionárias decorrentes da pandemia se intensificaram com problemas de oferta advindos da nova onda de Covid-19 na China e da Guerra da Ucrânia.

"A reprecificação da política monetária nos países avançados eleva a incerteza e gera volatilidade adicional, particularmente nos países emergentes", acrescentou.

O colegiado disse também que a inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente tanto nos componentes mais voláteis como nos itens associados à inflação subjacente.

"As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação", afirmou.

Em março, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 1,62% e chegou a 11,30% no acumulado de 12 meses. Na última semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA-15 subiu 1,73% em abril –a maior variação para o mês em 27 anos– e alcançou 12,03%.

Internamente, o BC também passou por um período turbulento, com a mobilização dos servidores por reajuste salarial e reestruturação de carreira. A primeira etapa da greve, que durou de 1º a 19 de abril, provocou uma série de atrasos na rotina da autoridade monetária, especialmente na divulgação de indicadores financeiros, como o boletim Focus.

Mas a suspensão da greve por duas semanas, antes da retomada nesta terça (3), permitiu ao mercado tomar conhecimento da evolução das expectativas antes da reunião do Copom.

Segundo a pesquisa Focus divulgada na segunda-feira (2), a mediana das projeções dos economistas para o IPCA subiu de 7,65% para 7,89% em 2022. Para 2023, a estimativa também aumentou, passando de 4% para 4,10%.

A expectativa do mercado coloca a inflação cada vez mais distante do objetivo perseguido pelo BC, que é de 3,50% para este ano e 3,25% para o próximo, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Se as projeções para 2022 se confirmarem, será o segundo ano de estouro consecutivo da meta, que é estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Em 2021, o IPCA somou 10,06%.

No cenário de referência do Copom, as projeções de inflação situam-se em 7,3% para 2022 e 3,4% para 2023. Já as projeções para a inflação de preços administrados são de 6,4% para este ano e 5,7% para o próximo.

Na análise, o BC optou por manter a premissa de que o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura de mercado até o fim deste ano, terminando 2022 em US$ 100/barril e passando a aumentar 2% ao ano a partir de janeiro de 2023.

"O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual", afirmou.

O BC avaliou que permanecem fatores de risco para a inflação em ambas as direções.

Entre os riscos de alta, destacou "uma maior persistência das pressões inflacionárias globais e a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país, parcialmente incorporada nas expectativas de inflação e nos preços de ativos".

Já entre os riscos de baixa, ressaltou "uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local, uma desaceleração da atividade econômica mais acentuada do que a projetada."

"O Comitê avalia que a conjuntura particularmente incerta e volátil requer serenidade na avaliação dos riscos", complementou.

Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, diz que o BC ajustou sua comunicação, antecipando uma provável extensão do ciclo com uma alta em junho, em linha com a expectativa majoritária de mercado.

"Apesar de acharmos que poderia encerrar o ciclo nesse momento, uma provável alta de 0,5 ponto percentual em junho tem impacto residual, uma vez que a taxa já está em território bastante contracionista", afirmou.

Segundo ela, o comunicado do BC trouxe mais cautela, além da consideração de que ainda há muita incerteza no cenário.

"A preocupação principal ainda é com as surpresas inflacionárias recentes e como tem afetado as expectativas, que ainda não estão ancoradas, pelo menos não para 2023", disse.

"O comunicado ainda cita o risco fiscal, apesar dos recentes superávits, mas vale o alerta para as discussões políticas atuais que poderiam alterar essa trajetória no próximo ano, como renúncias fiscais e novos gastos", continuou.

Para Igor Barenboim, sócio e economista-chefe da Reach Capital, o BC correspondeu às expectativas do mercado.

"A decisão foi muito parecida com o que a curva de juros brasileira esperava, acho que o BC tentou colocar isso em palavras. Ele não quis surpreender, quis confirmar o viés do mercado. Acho que foi direito o tom", disse.

O ex-secretário adjunto de Política Econômica no Ministério da Fazenda vê os próximos passos do ciclo do aperto monetário como ajuste fino.

"Deve ficar um bom tempo nesse patamar em torno de 13,25%. Esse é o consenso. Ninguém espera mais que vai ter corte de juro no primeiro semestre do ano que vem, se for ter algum corte, é para o segundo semestre", afirmou.

O choque de juros é uma resposta do BC às sucessivas revisões para cima das expectativas de inflação. Assim, os economistas também reajustaram suas projeções para a Selic. Para 2022, a expectativa é de que os juros fechem o ano a 13,25%. Em 2023, o mercado prevê 9,25% ao ano.

O Copom volta a se reunir nos dias 14 e 15 de junho para recalibrar a Selic. Dada a defasagem nos efeitos da política monetária na economia, o colegiado do BC já olhará integralmente para a meta de 2023 em sua decisão sobre os juros.

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