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BC dos EUA dá largada para maior aperto global em décadas

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(Bloomberg) -- O presidente do banco central dos EUA deu a largada para um processo global de aperto monetário que pode ser o maior e mais rápido em anos.

A mudança de Jerome Powell para uma postura mais agressiva à frente do Federal Reserve incluiu não descartar aumentos na taxa básica de juros em todas as reuniões até o final de 2022. Ao longo da próxima semana, a expectativa é que meia dúzia de outros bancos centrais, incluindo o Banco da Inglaterra, subam juros. E mais instituições sinalizaram que vão seguir nessa direção nos próximos meses.

Os comentários de Powell alertaram investidores de que o conforto proporcionado pelo banco central realmente será removido desta vez. Mesmo com a volatilidade no mercado acionário, a alta dos rendimentos dos títulos e temores de que a elevação do custo dos empréstimos atrapalhe o crescimento econômico, o comandante do Fed não titubeou.

Com os guardiões da política monetária revelando abertamente o tamanho de suas preocupações com a inflação, está traçado um caminho de medidas agressivas.

“Esse ciclo de aperto será diferente”, disse Dario Perkins, economista da TS Lombard em Londres. “As autoridades podem subir juros muito mais rápido desta vez.”

O último ciclo de escala global aconteceu pouco antes da crise financeira de 2008. O atual já começa com as economias funcionando em plena capacidade e os índices de inflação muito acima das metas – formando a perspectiva para execução do mais rápido ciclo global de alta de juros desde a década de 1990, segundo Perkins.

Com os índices de preços nos maiores níveis em 30 anos nos EUA e no Reino Unido, os mercados esperam que o Fed eleve os juros cinco vezes este ano e que o Banco da Inglaterra anuncie quatro acréscimos. A expectativa é que a instituição britânica anuncie o segundo aumento consecutivo na taxa básica — para 0,5% — na semana que vem.

Esse patamar de juros também abre as portas para o início da reversão da flexibilização quantitativa, que representa outra camada de aperto nas políticas governamentais.

No BNP Paribas, o economista-chefe global, Luigi Speranza, também acha que “desta vez é diferente”. Ele agora prevê seis aumentos de juros nos EUA neste ano.

A tendência é observada em toda parte. No Canadá, o comandante do banco central, Tiff Macklem, sinalizou na quarta-feira que elevará os juros em março e os mercados precificam aumentos adicionais em seguida.

A África do Sul subiu o custo dos empréstimos na quinta-feira e a Hungria também aumentou os juros. Cingapura anunciou um aperto inesperado nesta semana e o Chile implementou a maior alta de juros desde 2001. A Austrália deve abandonar o programa de compra de títulos na próxima terça-feira e pode subir os juros já em maio.

A movimentação global na direção de um aperto intensifica a pressão sobre o Banco Central Europeu, que continua sendo exceção e dificilmente subirá os juros antes de 2023. A China também nada contra a corrente e baixa juros para sustentar o crescimento econômico.

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