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BC deve parar alta de juros, mas pode fazer elevação simbólica, dizem analistas

***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 04.05.2022 - Sede do Banco Central, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 04.05.2022 - Sede do Banco Central, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O mais longo e intenso ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central deve ser interrompido nesta quarta-feira (21). Essa é a expectativa majoritária do mercado financeiro, que espera a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano.

Mas um ajuste final de 0,25 ponto percentual, que transmitiria uma mensagem mais dura por parte da autoridade monetária, não está descartado pelos economistas.

"A comunicação do Copom na última reunião foi na direção de parada. Se ele estava confortável em sinalizar a pausa lá atrás, de lá para cá, o conforto [que possibilitou a sinalização] ficou, no mínimo, igual. Então, ele faz a pausa para avaliação", disse Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos.

O conforto, na visão do ex-assessor especial do Ministério da Economia, vem da queda nas projeções de inflação para este ano e sobretudo para o próximo -período mais relevante para a atuação do BC dada a defasagem da política monetária.

De acordo com o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19), a estimativa do mercado para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2022 recuou pela 12ª semana consecutiva, de 6,4% para 6%, e a projeção para 2023 caiu de 5,17% para 5,01% -quinta queda seguida.

A previsão mais baixa em 2022 incorpora o impacto de medidas legislativas aprovadas referentes aos preços de combustíveis e energia elétrica. Após a redução das alíquotas de ICMS, o país registrou dois meses de deflação (em julho e agosto).

Só no mês passado, o índice oficial de inflação do país recuou 0,36%, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No acumulado em 12 meses, o IPCA ficou em 8,73%.

Além do corte tributário, Megale também menciona os reajustes nos preços dos combustíveis anunciados pela Petrobras na esteira da queda do valor do petróleo e a inflação de alimentos com uma dinâmica "um pouco mais favorável".

Para 2023, o economista Heron do Carmo, professor da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo), espera um comportamento mais controlado da inflação. Entre os motivos, cita que os efeitos dos últimos choques inflacionários -causados pela Guerra da Ucrânia- tendem a se esvair.

O especialista em inflação diz não ver justificativa para novo aumento de juros e considera que o BC já colocou a Selic em um patamar "muito razoável".

"Já estamos com uma taxa de juros que deve chegar a quase 6% em termos reais agora no fim do mês, quando sair o resultado da inflação de setembro, não vejo razão para novo aumento da taxa de juros", disse.

O ciclo eleitoral é outro fator que pode influenciar a decisão do BC sobre os juros, de acordo com Carmo, e colocar a autonomia da autoridade monetária à prova. O Copom definirá o rumo da taxa básica em meio à reta final da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) por um segundo mandato.

A lei de autonomia do BC, em vigor desde fevereiro de 2021, determina mandatos fixos de quatro anos ao presidente e aos diretores da autarquia, que podem ser renovados apenas uma vez e não são coincidentes com o do presidente da República.

Caso o BC não encerre o ciclo de alta de juros nesta semana, será a primeira vez que o Copom elevará a Selic às vésperas do primeiro turno.

O último movimento em meio ao período eleitoral ocorreu em 2002, quando o comitê definiu em uma reunião extraordinária entre o primeiro e o segundo turnos elevar a taxa básica em 3 pontos percentuais, de 18% para 21% ao ano.

"O Banco Central sempre dirá que [a eleição] não [influencia], mas qualquer pessoa de bom senso sabe que sim. Seria uma surpresa uma mexida nos juros também por isso, a não ser que a taxa de juros estivesse muito defasada, mas não é o caso", disse o professor da USP.

Já Megale vê uma influência marginal do período eleitoral sobre a decisão do colegiado. "O ideal é não jogar ainda mais volatilidade em um tema que já é volátil, mas se for necessário fazer [ajuste], não é uma restrição", afirmou.

Para o economista-chefe da XP, há chance de o BC levar a Selic ao patamar de 14% ao ano, apesar de não ser o seu cenário principal, caso queira adotar uma postura mais incisiva.

Ana Madeira, economista-chefe para Brasil do HSBC, acredita que um ajuste residual de 0,25 ponto percentual ajudaria a reforçar o tom "hawkish" (duro) da autoridade monetária. "No fim das contas, a gente ainda tem uma eleição no meio e risco fiscal para o ano que vem", argumentou.

O governo apresentou a proposta de Orçamento para 2023 com um valor médio de R$ 405 para o Auxílio Brasil, apesar da promessa da manutenção do benefício turbinado de R$ 600.

A especialista também ressalta que, embora as projeções de inflação estejam caindo para o ano que vem, elas ainda continuam acima do objetivo a ser perseguido pelo BC em 2023, de 3,25%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Para Rafael Castilho, economista do Credit Suisse, um último movimento do BC seria "mais prudente" e sinalizaria o comprometimento da autoridade monetária com o combate à inflação diante da deterioração das expectativas para 2024.

De acordo com o último boletim Focus, a projeção dos economistas para 2024 subiu para 3,5% -acima do centro da meta, fixada em 3% pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Os economistas também destacam a aceleração da atividade econômica em ritmo mais forte que o esperado. O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1,2% no segundo trimestre, impactado principalmente pelo setor de serviços.

"O mercado de trabalho também está forte, com taxa de participação aumentando, assim como desemprego caindo. Isso tudo pressiona pelo lado da demanda", disse Castilho. No Brasil, a taxa de desemprego recuou para 9,1% no trimestre encerrado em julho deste ano.

Esse conjunto de fatores faz os analistas enxergarem espaço para o BC recalibrar a Selic, ainda que reconheçam que não ficariam surpresos caso a autoridade monetária decida encerrar o ciclo de aperto monetário com a Selic a 13,75% ao ano.

"Um adicional de 0,25 vai fazer uma mudança muito grande quantitativa? Não vai. No entanto, a gente vê esse adicional tendo um custo baixo para o Banco Central", resumiu Madeira.