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BC deve deixar porta aberta após novo aumento de juros, dizem economistas

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 11.01.2022 - Fachada do Banco Central, em Brasília. (Foto: Antonio Molina/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 11.01.2022 - Fachada do Banco Central, em Brasília. (Foto: Antonio Molina/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Banco Central deve deixar a porta aberta para um novo aumento de juros após entregar nesta quarta-feira (3) uma alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica, levando a Selic a 13,75% ao ano. Essa é a expectativa majoritária do mercado, mesmo entre os economistas que apostam no fim do ciclo de aperto monetário.

Entre os fatores que podem fazer o Copom (Comitê de Política Monetária) optar por uma dose adicional de juros em setembro, os analistas citam a deterioração das expectativas de inflação para 2023 –projetada em 5,33% na mediana da última pesquisa Focus, já bem acima do teto de 4,75%.

"O cenário mais provável é de encerramento do ciclo em 13,75%, mas a gente entende que o comitê não deve fechar porta para uma eventual alta na reunião de setembro. Um ajuste adicional pode ser implementado a depender do cenário de expectativas de inflação", afirmou Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco.

Para o economista, há uma incerteza maior do que a usual quanto às projeções de inflação tanto para este ano quanto para o próximo, dada a dificuldade de estimar a magnitude do impacto do teto de 17% a 18% do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e outros itens considerados essenciais.

Gonçalves acredita que a questão tributária será preponderante nas novas projeções do BC. "No cenário de referência, a gente acha que a inflação vai recuar de 8,8% para 7% em 2022. É um recuo bem relevante, muito ligado ao tema dos impostos. Ano que vem, a gente espera uma alta de 4% para 4,3% nas projeções do comitê", disse.

A sustentação do forte ritmo da atividade econômica e o aumento da percepção de risco fiscal com a aprovação do pacote de medidas que amplia benefícios sociais às vésperas das eleições são outros elementos apontados pelos membros do mercado financeiro para que a Selic continue avançando.

Esse panorama levou o Santander, que até então apostava no fim do ciclo, a revisar suas estimativas e elevar de 13,5% para 14,25% a projeção para a taxa Selic no fim de 2022.

"Está cedo para o Banco Central já cravar o fim do ciclo diante dessa deterioração do cenário base, mas também do balanço de riscos", afirmou Maurício Oreng, superintendente de pesquisa macroeconômica do Santander.

"Existe uma tendência de o balanço de riscos ficar assimétrico com viés altista [cenário com expectativa de mais inflação]. Esses fatores podem levar o Copom a fazer 0,5 ponto e finalizar com um aumento de igual ou menor magnitude, de 0,5 ou 0,25 na próxima reunião", acrescentou.

Gustavo Arruda, chefe de pesquisa econômica para América Latina do BNP Paribas, ressalta que, em períodos anteriores, uma política fiscal muito expansionista já foi determinante para o BC justificar juros mais altos no país.

"Me parece pouco provável que o Banco Central vai conseguir anunciar o fim do ciclo de alta nessa reunião. É um risco que não vale a pena correr", disse.

Para o economista, o BC terá de "continuar falando e agindo". Desde março, o BNP Paribas projeta a Selic a 14,25% ao fim de 2022. Na época, era um dos prognósticos mais elevados entre as principais instituições financeiras.

"Na nossa percepção, a inflação era um problema maior do que as pessoas imaginavam, a gente tinha um cenário de inflação de 10%, que só não vai ser 10% pelo corte de imposto, vai ser na casa de 8%", afirmou.

Para chegar ao patamar estimado, Arruda desenha dois cenários. No principal, o BC deve promover duas altas consecutivas de 0,5 ponto percentual. "Preferiria ver esses 14,25% chegando o quanto antes por questão de expectativas de inflação", disse.

No alternativo, o comitê elevaria 0,5 ponto percentual nesta quarta e desaceleraria o passo com mais duas altas de 0,25 nas próximas reuniões, avançando durante o período eleitoral.

"Será que o Banco Central vai se sentir independente o suficiente para continuar agindo durante a campanha eleitoral? Acho que não tem problema, ainda mais agora que o BC é, de fato, independente por lei. É mais importante ainda fazer o que for necessário independentemente do processo eleitoral", continuou.

Para a professora de economia do Insper, Juliana Inhasz, um derradeiro ajuste sinalizaria a "vigilância" do BC com uma política monetária mais firme. Entre a estratégia de conceder um único aumento de 0,5 ponto percentual ou a de duas altas consecutivas de 0,25, ela fica com a primeira opção por conta do calendário eleitoral.

"Tem uma reunião em setembro, muito perto da eleição. Politicamente não parece muito atraente ter esse gradualismo para um aumento pequeno frente a todos os aumentos que a gente já teve. Me parece mais agradável politicamente dar o aumento todo agora, depois administrar", disse.

Apesar de esperar o fim do ciclo de aperto monetário, a economista vê que o BC não será taxativo quanto à decisão para ter margem de manobra em caso de novas turbulências, como choques inflacionários inesperados decorrentes da Guerra na Ucrânia ou novas ondas de Covid ou outras doenças, como a varíola dos macacos.

"O BC sempre deixa uma nuance de que a situação pode mudar. Não acho que ele vai declarar claramente que o ciclo se encerrou", afirmou. "Acho que vai ser no tom de que fez o que já devia fazer e, a partir de agora, ajusta se o cenário mudar."

Rafaela Vitória, economista-chefe do banco Inter, cita a desaceleração da inflação de bens industriais, bem como a queda nos preços das commodities, como brechas para que o BC encontre espaço para, enfim, interromper a escalada da Selic.

O BC sinaliza, desde maio, a intenção de encerrar o atual choque de juros, que já é o mais longo da série histórica e o mais forte desde a adoção do regime de metas para inflação, em 1999.

"A gente já está em um cenário em que a atividade vai decrescer muito daqui para a frente, com cenário global também mostrando esse mesmo caminho. O impacto da política monetária pode vir de uma vez e o Banco Central pode querer ter mais cautela. Essa cautela significa dar essa última alta de 0,5 ponto e parar. Hoje, o cenário está mais favorável para essa parada", afirmou.

A economista ainda ressalta o elevado patamar do juro real. À espera do Copom e com o Federal Reserve (Fed, banco central americano) no radar, as taxas dos juros futuros médios e longos encerraram o pregão desta terça (2) com viés de alta, enquanto os juros mais curtos recuaram.

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