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BC deve avaliar custo e benefício de exagerar na alta de juros, dizem economistas

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2020 - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Economistas ouvidos pela reportagem afirmam que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deve avaliar custos e benefícios de arriscar exagerar na alta da taxa básica de juros (Selic), especialmente com a atividade econômica já muito deprimida.

O dilema é que, se o BC acelerar o ritmo de aperto monetário e elevar a Selic acima de 1,5 ponto percentual indicado na reunião anterior (com manutenção da dose nas decisões seguintes), pode ter que começar a cortar mais e antes do previsto, fazendo movimentos bruscos que gerariam volatilidade.

Em contrapartida, manter o passo pode indicar que a autarquia não está tão comprometida com o combate à inflação, o que deve elevar ainda mais as projeções para os próximos anos, gerando a chamada desancoragem de expectativas.

A alta exagerada de juros é conhecida como overkill no jargão de economistas. A avaliação é que com uma dose maior que a necessária na Selic, nos anos seguintes haverá forte desaceleração da inflação, com ameaça de fechar abaixo do piso da meta, o que também deve ser combatido pelo BC.

É praticamente consenso no mercado que o BC deve levar a taxa básica a 9,25% ao ano nesta quarta-feira (8) após falas do presidente e de diretores em eventos recentes, mas economistas divergem no que o BC deveria fazer frente à escalada de preços.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou em evento no fim de novembro que que o objetivo do BC é calibrar adequadamente o ritmo de alta de juros para que o aperto não seja maior ou menor que o necessário.

"Em todos os bancos centrais há dois erros que podem ser cometidos. O primeiro é subir muito rápido [os juros] e não ter a percepção de qual é o atraso [de efeito da política monetária], e não poder medir isso especialmente porque, por causa da pandemia, os modelos não funcionam tão bem. Você olha depois e tira essa conclusão. O outro é não fazer o suficiente e começar a desancorar as expectativas [de inflação]", disse.

No horizonte relevante -para quando o BC entende que a política monetária faz efeito- as expectativas de inflação vêm crescendo. Para 2022 e 2023 as estimativas estão em 5,02% e 3,50%, respectivamente, ambas acima do centro das metas para os períodos, de 3,5% e 3,25%. Para o próximo ano, o número já está acima do máximo permitido no intervalo de tolerância, que é de 5%.

Depois dos últimos eventos e falas públicas do presidente do BC e diretores, o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, revisou a projeção de alta da Selic de 2 pontos para 1,5, conforme sinalizado pela autoridade monetária na reunião do Copom de outubro.

O analista, contudo, diz que o Copom deveria ser mais duro e acelerar o ritmo de alta da Selic para levar a inflação à meta no horizonte relevante.

"Pelas comunicações recentes, o BC deve optar pelo gradualismo [de elevação da Selic], que não gere solavancos na economia, mantendo o ritmo de alta. Se subir muito agora pode ter que cortar antes do previsto. Além disso minimiza o risco de overkill", explica.

Sanchez pondera que é preciso avaliar custo e benefício de cada ação. Em sua visão, acelerar o passo do aperto monetário traz a vantagem de ancorar as expectativas de inflação, mesmo que lá na frente o BC tenha que fazer cortes expressivos de juros e antes do previsto.

"A desancoragem das expectativas leva à perda de credibilidade e, o que é muito mais prejudicial do que desdobramentos recessivos [da atividade]", avalia.

Há ainda uma discussão sobre um possível deslocamento do horizonte relevante. Nessa hipótese, o BC daria mais importância para 2023, sinalizando abandono da meta de 2022, o que justificaria não acelerar o ritmo de alta.

A tese embasa a aposta de Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Fibra, de que o BC deve aumentar a Selic em 1,5 ponto na quarta.

"A comunicação do oficial dos membros do Copom após a divulgação da ata de outubro parece indicar que em breve o comitê optará por ajustar o horizonte da política monetária dando maior peso explícito para o ano calendário de 2023. Em nossa opinião, isso reduz fortemente a probabilidade de intensificar o ritmo de alta da Selic como chegou a ser precificado pela curva de juros recentemente", coloca.

"Com a Selic indo para 9,25% ainda estamos longe de overkill. Por outro lado, o mercado chegou a precificar há algumas semanas taxas extremamente elevadas para o final de 2022 que, se fossem confirmadas, poderia ser configurado, a meu ver, como overkill", ressalta Oliveira.

Já o sócio da Fatorial Investimentos Jansen Costa afirma que a alta de 1,5 ponto é suficiente. "Muitos acreditam que está atrás da curva [abaixo do necessário], mas acho que estaria em linha sim essa decisão. Tivemos espaço fiscal importante e vamos sofrer agora com retração de primeiro semestre na economia", pontua.

"O BC tem que perseguir a inflação dentro da meta. Esse é o objetivo do Banco Central, então ele vai subir os juros por causa disso. O que pode acontecer é exagerar na alta como exagerou na queda porque o que importa é a meta de inflação", continua Costa.

A estrategista-chefe da MAG Investimentos, Patrícia Pereira, projeta alta entre 1,75 ponto e 2 pontos nesta reunião, com manutenção do foco na meta de 2022.

"Seria muito nocivo em relação à credibilidade abandonar 2022, por isso acho que o BC deve acelerar o passo para tentar ancorar novamente as expectativas. Nesse cenário, provavelmente teremos um overkill, mas com mais benefícios em relação à fazer de forma gradual e desancorar", diz.

Em sua análise, ela considera que cortar juros no futuro de forma mais brusca menos danoso que deixar a inflação em patamar mais elevado.

A especialista ressalta que tem crescido o descasamento entre o que o mercado acha que o BC deve fazer e o que realmente vai fazer. "Esse é um indício de perda de credibilidade", afirma.

João Beck, economista da gestora BRA, pontua que também será um desafio definir por quanto tempo a Selic deve ficar em nível elevado, acima do neutro, que desaquece a economia.

"Por quanto tempo a gente precisa dessa Selic num patamar tão restritivo ainda é uma incógnita. De um lado você tem os dados bons recentes que podem se mostrar mais permanentes. De outro, estamos entrando em um ano eleitoral que pode resultar num debate detrator para as condições econômicas dificultando o trabalho do BC", reforça.

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