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BC da China é limitado por inflação e receio sobre Fed em meio a pressão por afrouxamento monetário

Sede do Banco do Povo da China, em Pequim

Por Kevin Yao

PEQUIM (Reuters) - O banco central da China deve adotar mais medidas de afrouxamento monetário, pressionado por uma economia instável que está prejudicando o emprego, mas enfrenta um espaço de manobra limitado devido a preocupações com o aumento da inflação e fuga de capitais, disseram fontes com conhecimento da política monetária e analistas.

Analistas esperam cortes nas taxas de empréstimo de referência do país já na segunda-feira, depois que o Banco do Povo da China reduziu inesperadamente duas taxas importantes nesta semana, após dados mostrarem que a economia desacelerou em julho.

Mas a instituição está andando numa corda bamba --buscando apoiar a economia devastada pela Covid, mas evitando estímulos maciços que poderiam aumentar as pressões inflacionárias e arriscar saídas de recursos dos mercados de ações e títulos da China, à medida que o Federal Reserve e bancos centrais de outras economias aumentam agressivamente suas próprias taxas de juros.

A economia da China evitou por pouco uma contração no segundo trimestre em meio a lockdowns generalizados e uma crise imobiliária cada vez mais profunda, que prejudicaram gravemente a confiança dos consumidores e das empresas, enquanto os casos de Covid subiram novamente nas últimas semanas. O Nomura estima que 22 cidades estão atualmente em bloqueios totais ou parciais, representando 8,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Atualmente, o principal problema que a China enfrenta é o crescimento econômico em desaceleração, proteger o crescimento é a principal prioridade", disse à Reuters Yu Yongding, influente economista do governo que já assessorou o banco central da China.

"O que devemos fazer é continuar adotando a política fiscal e monetária expansionista, incluindo corte de juros", disse ele.

A China provavelmente cortará sua taxa básica de empréstimo para empresas e compradores de imóveis em sua próxima reunião de definição dos juros, em 22 de agosto.

"O corte na taxa não é suficiente --devemos intensificar a flexibilização", disse um assessor do governo que falou sob condição de anonimato.

No entanto, é improvável que o banco central reduza a taxa de compulsório dos bancos, uma ferramenta tradicional para aumentar a liquidez, já que o sistema financeiro já está inundado de dinheiro, disseram observadores da China.

A instituição pode, em vez disso, usar ferramentas de política monetária estruturais, como empréstimos de baixo custo, para dar apoio direcionado a pequenas empresas e setores em dificuldades favorecidos por políticas estatais, disseram eles.