BC: déficit de novembro foi o pior da série para o mês

O déficit primário das contas do setor público registrado em novembro é o pior para o mês de novembro, informou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel. Ele destacou que o déficit expressivo é resultado do crescimento das despesas em ritmo "muito maior" dos que as receitas.

Enquanto as receitas cresceram cerca de 4%, as despesas aumentaram 15%. Ele ponderou, no entanto, que se deve analisar essa resultado no contexto da conjuntura econômica deste ano.

"O cenário se configurou adverso, sobretudo, pelos incertezas do panorama internacional e ao longo do ano tivemos ajustes da projeção do PIB que refletiram moderação da atividade econômica. Esse contexto influenciou a área fiscal, tanto pelo lado das receitas quanto pelas despesas", disse. Maciel destacou ainda que as desonerações dadas pelo governo influenciaram o resultado.

Apesar da piora, ele garantiu que a meta fiscal do ano será cumprida, mas com ajustes permitidos do abatimento das despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele disse que ainda não sabe quanto do PAC será utilizado para abater a meta.

No acumulado do ano, o superávit primário de R$ 82,699 bilhões também foi o pior resultado para o período desde 2009, quando foi de R$ 64,6 bilhões, disse Maciel.

No acumulado de 12 meses até novembro, o superávit foi de R$ 84,633 bilhões, o pior resultado desde agosto de 2010, quando o resultado foi de R$ 69,6 bilhões. Como porcentual do PIB, no acumulado de 12 meses, o superávit de 1,93% do PIB foi o pior desde novembro de 2009, quando chegou a 1,39% do PIB

Juros

Maciel disse também que a despesa com juros em novembro, de R$ 16,331 bilhões, foi o melhor resultado desde novembro de 2009, quando o gasto foi de R$ 15,3 bilhões. No acumulado do ano, a despesa com juros foi de R$ 194,761 bilhões e teve o melhor resultado desde 2010, quando o gasto foi de R$ 165 bilhões. O resultado também representa uma queda de 10% em relação à despesa com juros entre janeiro e novembro de 2011, o que representou uma economia de R$ 22 bilhões.

Nos 12 meses acumulados até novembro, a despesa com juros foi de R$ 215,3 bilhões, o melhor resultado desde abril de 2011, quando o gasto foi de R$ 213,9 bilhões. Em termos de porcentual do PIB, a despesa com juros no acumulado de 12 meses encerrados em novembro foi de 4,91% do PIB.

Maciel destacou que esse porcentual vem recuando mês a mês e lembrou que o resultado no fim de 2011 foi de 5,70% do PIB. Segundo ele, a despesa com juros deve encerrar o ano de 2012 em 4,8% do PIB.

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