BC atua e dólar à vista fecha em baixa de 0,38%

Depois de encerrar novembro na maior cotação desde maio de 2009, o dólar caiu na maior parte do primeiro dia útil de dezembro, com a trajetória imposta por leilões do Banco Central. Depois de duas ofertas de swap cambial de manhã, perto do fim da tarde desta segunda-feira, o BC reativou os leilões de venda de dólares com compromisso de recompra.

De acordo com o BC, a decisão para o leilão de venda com recompra é um "ajuste de liquidez". Operadores lembram que, logo após a quebra do Banco Lehman Brothers, em 2008, esta modalidade de leilão foi bastante utilizada pela autoridade monetária.

No mercado doméstico, o dólar à vista fechou a R$ 2,119 no balcão, com recuo de 0,38%. Na máxima, a moeda bateu em R$ 2,135 e tocou em R$ 2,097, na mínima do dia. O giro financeiro foi forte e somava US$ 2,806 bilhões perto das 17 horas.

Na BM&F, a moeda spot fechou na máxima do dia, em R$ 2,118, com alta de 0,52% e cinco negócios (dado preliminar). No mesmo horário, o dólar para janeiro de 2013 estava cotado a R$ 2,129 (-0,82%).

Dezembro tradicionalmente é um período de mais saídas de recursos, como remessas de lucros para o exterior e novas estratégias de hedge corporativo, conforme têm enfatizado analistas de câmbio. Na esteira do terceiro leilão desta segunda-feira, a percepção inicial dos agentes do mercado é de que o BC pode ter o entendimento de que o mês possa ser mais complexo nas questões de adiantamento de contratos de câmbio (ACC) ou no financiamento de linha de exportação.

"Não é de se estranhar quando, no fim do ano, começam a faltar linhas de crédito, o BC começa a subsidiar tais linhas por meio dos leilões de venda conjugados com recompra", disse um estrategista. "O BC pode ter identificado que vencimentos que estão chegando agora são pesados e que a taxa de câmbio poderia ser muito punitiva para as necessidades temporárias do mundo corporativo", acrescentou outro profissional.

Vale lembrar que, no dia 22 de novembro, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, havia citado que, se fosse preciso, o BC interviria no câmbio para prover liquidez. Na ocasião, Tombini observou que no fim de ano há oferta menor de dólar e demanda maior pela moeda, e mencionou tal movimento como provisório, que tende a se reverter no início do ano.

Na primeira parte da sessão nesta segunda, dois swaps cambiais inverteram a alta do dólar, que abriu cotado a R$ 2,135 no mercado à vista de balcão. Na sexta-feira passada (30), o fechamento da moeda norte-americana foi o maior desde 5 de maio de 2009. Para o estrategista do Credit Agricole Brasil, Vladimir Caramaschi, "o nível (do dólar em) R$ 2,10, que até um tempo atrás estava mais para o teto da banda, agora está mais para piso". O grande limitador para ganhos mais acentuados do dólar, observa ele, é a inflação. "Apesar da atividade fraca, repasses do câmbio para os preços podem ocorrer de forma mais intensa do que a ociosidade (pode sugerir)", observou.

O consenso entre os participantes do mercado é que o BC continua buscando reduzir oscilações bruscas do dólar, com objetivo de controlar a intensidade com que a desvalorização do real tem ocorrido.

No início da tarde, as Bolsas em Nova York (e também o Ibovespa) reduziram ganhos após dados de atividade industrial nos EUA, e o dólar também abrandou a queda ante o real de forma concomitante, acompanhando a trajetória da moeda no exterior, que havia minimizado naquele momento as perdas ante outras divisas de emergentes ou de elevada correlação com preços das commodities.

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