BC: atividade se mostrou menos intensa no 2º semestre

O ritmo de atividade doméstica no segundo semestre de 2012 tem se mostrado menos intenso do que se antecipava, informou o Banco Central em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta-feira.

Citando os dados das contas nacionais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativos ao terceiro trimestre, o BC diz que indústria e agropecuária, em certa medida, mostraram reação aos estímulos introduzidos na economia, e a estabilidade do setor de serviços refletiu eventos que tendem a não se repetir.

"A demanda doméstica continuou sendo o principal suporte da economia, com o consumo das famílias sendo estimulado pela expansão moderada do crédito, pela geração de empregos e de renda", diz o BC. "Por outro lado, a lenta recuperação da confiança contribuiu para que os investimentos ainda não mostrassem reação aos estímulos introduzidos na economia."

O BC diz ainda que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias. "Esse ambiente tende a prevalecer nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos."

Preços administrados

A projeção para a variação do conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, em ambos os cenários (referência e mercado), caiu de 3,6% para 3,5%, para 2012, e se manteve em 2,4% para 2014. Nos dois casos, as projeções consideram a hipótese de estabilidade dos preços da gasolina.

Para 2012, também incluem expectativa de reajuste de 4,5% nos preços do gás de bujão; reajuste de 1,7% nos preços da eletricidade; e variação de -1,6% nas tarifas de telefonia fixa. Para 2013, consideram estabilidade dos preços do gás de bujão e das tarifas de telefonia fixa, bem como recuo de 14,6% das tarifas de eletricidade.

Segundo o BC, essa última estimativa leva em conta apenas os impactos diretos das reduções de encargos setoriais de energia recentemente anunciadas. Para 2014, também nos dois cenários, a projeção para alta dos preços administrados é de 4,5%, mesmo valor considerado no último relatório de inflação.

Revisão PIB

A revisão pelo BC da previsão para o PIB reflete, em grande parte, uma recuperação da atividade econômica doméstica menos intensa do que a prevista no relatório anterior. O crescimento projetado do PIB de 2012 caiu de 1,6% para 1,0%. O BC também considera expansão de 3,3% para o acumulado em quatro trimestres até o terceiro trimestre de 2013.

Inflação

Da mesma forma, o BC diz que a projeção de inflação no cenário de referência encontra-se acima dos valores registrados no relatório de setembro até o terceiro trimestre de 2013. A partir desse momento, cai para níveis similares ou levemente inferiores nos trimestres seguintes, refletindo, em parte, ritmo de atividade doméstica menos intenso do que o considerado no último relatório.

No cenário de mercado, as projeções encontram-se acima dos valores registrados no relatório anterior até o primeiro trimestre de 2014, essencialmente pelas mesmas razões, bem como pela taxa de câmbio mais depreciada do que a considerada no último relatório.

Nos trimestres seguintes, e conforme ocorre no cenário de referência, as projeções no cenário de mercado se deslocam para níveis similares aos considerados no relatório anterior, também refletindo a dinâmica menos favorável da atividade econômica doméstica.

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