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BC aperta ritmo e deixa visão mais dovish com fiscal e 2023

·5 min de leitura

(Bloomberg) -- O Banco Central acelerou o passo de alta da Selic para 1,5pp, levando a taxa para 7,75%, e sinalizou outro aperto de mesma magnitude em dezembro em meio aos “recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal” que elevaram o risco de desancoragem das expectativas, conforme esperado por boa parte do mercado.

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Alguns analistas, no entanto, consideraram o comunicado levemente dovish, tanto por dar o mesmo peso para 2022 e 2023 no horizonte relevante quanto à necessidade de uma linguagem mais dura para a inflação. Outros ainda viram avaliação menos incisiva sobre as recentes mudanças no teto de gastos.

Os juros futuros mais curtos devem ter ajuste de baixa, já que a precificação da curva indicava apostas em uma alta ainda mais forte. Já os contratos médios podem refletir a indicação de que os juros caminham para os dois dígitos no início do próximo ano.

Segundo o Copom, é apropriado que o ciclo de aperto monetário “avance ainda mais no território contracionista”.

Veja o que dizem os analistas:

Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs

  • “É provável que seja necessário mais, mas o movimento de hoje é um passo decisivo na direção certa e muito necessário em meio à percepção de erosão da âncora fiscal”

  • Foi levemente dovish, poderia ter entregado uma decisão para ancorar firmemente as expectativas

  • Parece ser cedo para dar o mesmo peso para a inflação de 2022 e 2023; esse pode ser o motivo para não terem feito uma alta maior da Selic agora

  • “Prepare-se para uma taxa Selic de dois dígitos no início de 2022”

David Beker, economista do Bank of America

  • Comunicado foi hawkish, com o BC destacando riscos de inflação mais elevados e sinalizando outra alta de 150 pontos-base em dezembro

  • Dito isso, o mercado precificava alguma probabilidade de um aumento maior, o que deve levar a alguma compressão na ponta curta da curva

  • Espera Selic terminal a 10,75%

Roberto Secemski e Juan Prada, Barclays

  • Pode haver alguma decepção no câmbio, pois recente ganho do real ocorreu parcialmente por apostas em alta mais forte da Selic

  • Banco revisa Selic terminal de 9,75% para 10,50%

Camila Faria Lima, economista-chefe da Canvas Capital

  • Decisão foi a mais adequada neste momento, tendo sido incorporada a piora no balanço de riscos para a inflação

  • “Para o final do ciclo, a expectativa é de Selic entre 10,5%-11,0% - será calibrada melhor após a divulgação da ata”

Sergio Goldenstein, estrategista-chefe da Renascença

  • Projeção para Selic final mudou para 10,75%, de 9,75% anterior, coerente com o foco crescente na inflação de 2023 e com as perspectivas de atividade mais fraca

  • “Caso haja piora adicional do cenário fiscal, a taxa Selic final poderia se aproximar de 12%”

Itaú, em relatório

  • “Comunicado da reunião assinala acertadamente o aumento da incerteza da política fiscal e indica que uma maior volatilidade pode levar as autoridades a recalibrar sua postura”

  • “Por enquanto, eles estão no modo de controle de danos total”

Gustavo Pessoa, sócio e gestor da Legacy Capital

  • “Copom tomou a decisão correta. Não fazia sentido entregar mais que 1,5 pp, elevaria muito a incerteza e disfuncionalidade do mercado”

  • “Com a decisão e o comprometimento de mais uma alta de 1,5 pp, o BC estará no caminho para elevar a Selic a 11%, o que parece ser suficiente para ancorar as expectativas”

  • “Havia um receio muito grande no mercado de algo maior que 2 pp, BC colocou a bola no chão e vai ancorar as expectativas de um modo mais organizado”

Carlos Kawall, diretor do Asa Investments e ex-secretário do Tesouro

  • “Tom surpreendeu com um viés mais dovish” e BC deve continuar atrás da curva

  • BC poderia ter feito um aumento maior, com mensagem um pouco mais dura, como a de que “vai fazer o necessário”

  • “O cenário de inflação está muito feio”

Gustavo Brotto, CIO da Greenbay Investimentos

  • “Postura mais conservadora do Banco Central, respondendo às surpresas altistas de inflação e deterioração da política fiscal, certamente ajudarão a evitar uma piora nas expectativas de inflação”

  • “Vértices curtos da curva de juros devem ceder, dada a precificação próxima de 1,75 pp de alta”

Rodrigo Cruz, sócio e gestor de renda fixa e moedas da Meraki

  • Copom fez ajuste forte, ainda que parte do mercado esperasse mais

  • Reconheceu deterioração fiscal e vê que terá de ir a território ainda mais contracionista

  • “A expectativa de inflação de 2022 não está ancorada. Já está em 4,4% no Focus, acho que vai para 5% rápido entre as próximas duas semanas ou um mês. Tem de tomar cuidado para não desancorar 2023 também”

Carlos Menezes, sócio e gestor da Gauss Capital

  • “Leitura é que BC veio com um tom ligeiramente mais dove do que o mercado esperava”

  • “Foi pouco incisivo na questão da alteração no arcabouço fiscal, que acabou justificando alteração no ritmo”

Mariana Guarino, gestora de portfólio da Truxt Investimentos

  • “Focus reagirá com menor compromisso do BC com a meta de 2022 e possível alongamento do horizonte de convergência”

  • “Devemos ver alta nas expectativas de inflação para 2022 e anos subsequentes nas próximas semanas”

  • “Tom menos duro que o esperado”

Sergio Zanini, sócio e gestor da Galapagos Capital

  • Copom acertou “em tamanho e na mensagem”

  • Tirou a referência no final sobre o juro real

  • “Mercado estava exagerando na precificação, não faz sentido acelerar muito mais agora e gerar mais volatilidade ainda”

  • “A curva curta deve ajustar, tem uns 20-30bps para fechar; deve ser neutro para câmbio e bolsa”

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados

  • Tom duro em relação à questão fiscal e sinalização correta de mais 1,50 pp na próxima reunião

  • “Muito provavelmente estamos caminhando de fato para juros de dois dígitos no início do ano”

Fábio Romão, economista sênior da LCA Consultores

  • “É um ritmo de ajuste que ganhou tração, mas ainda assim é moderado”

  • “Provavelmente vai para dois dígitos, mas não vai ficar muito distante do que alguns analistas dizem, de 11%. Na nossa conta vai para 10,75%”

(Atualiza com comentários de BofA, Canvas, Barclays e Renascença)

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