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BC americano sai em socorro do mercado após semana de perdas históricas

JÚLIA MOURA
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.05.2015: Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na pior semana para as Bolsas americanas desde a crise de 2008, o Fed (Banco Central americano) saiu em socorro do mercado financeiro ao sinalizar que pode cortar juros para conter a retração da atividade econômica com o coronavírus.

"Os fundamentos da economia americana permanecem fortes. No entanto, o coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica. O Fed está monitorando de perto os desenvolvimentos e suas implicações para as perspectivas econômicas. Usaremos nossas ferramentas e agiremos conforme apropriado para apoiar a economia", afirmou Jerome Powell, presidente do Fed, em comunicado emitido na tarde desta sexta-feira (28), enquanto as Bolsas americanas caíam mais de 3%.

A declaração ocasionou uma reviravolta no mercado. A Bolsa brasileira fechou em alta e o dólar reduziu a valorização. Dow Jones fechou em queda de 1,4% e S&P 500, de 0,8%. Nasdaq encerrou estável. Na semana, os índices americanos acumulam desvalorizações de 12,3%, de 11,5% e de 10,5%, respectivamente, as maiores desde outubro de 2008. 

Apesar da alta de 1,15% nesta sexta, a Bolsa brasileira teve queda de 8,36% na semana, o pior recuo semanal desde maio de 2017, na semana do chamado Joesley Day -forte queda do Ibovespa após divulgação de uma gravação comprometedora entre o então presidente Michel Temer (MDB) e o empresário Joesley Batista. Naquela semana, a Bolsa caiu 8,2%.

A recuperação do Ibovespa nesta sexta, após dois dias de fortes quedas, -7% na quarta e -2,6% na quinta, também foi impulsionada pela declaração do Fed. No pior momento da sessão, a Bolsa chegou a perder o patamar histórico de 100 mil pontos, com queda de 3%. 

A possibilidade de juros mais baixos nos Estados Unidos também aliviou a cotação do dólar, que chegou a R$ 4,515 na máxima do dia, mas fechou a R$ 4,484, alta de 0,15%. O patamar é o terceiro recorde seguido na semana, em que a divisa acumulou alta de 2%.

No ano, o dólar sobe 11,6% ante o real. No período, a divisa brasileira é a segunda moeda emergente que mais se desvaloriza ante o dólar, atrás apenas do rand sul-africano. Em 2019, o dólar teve alta de 4%.

Nesta sexta, o Banco Central voltou a atuar para conter a alta da moeda, realizando oferta líquida de 20 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente a US$ 1 bilhão.

Além disso, a autarquia fez a rolagem integral de todos os US$ 3 bilhões ofertados em linhas de dólares com compromisso de recompra e de 13 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento abril.

Além do Fed, o Banco Central Europeu (BCE) também disse monitorar o efeito do cornavírus na economia. Segundo o presidente do banco central da Lituânia, Vitas Vasiliauskas, a autoridade não espera tomar qualquer ação em relação ao coronavírus em sua próxima reunião do Conselho, marcada para 12 de março, mas poderá convocar uma reunião de emergência.

Neste momento, o BCE tem uma "abordagem de esperar para ver", disse Vasiliauskas em uma conferência de imprensa em Bruxelas na quinta (27).