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BC americano projeta queda de 6,5% no PIB dos EUA e juro próximo de zero até 2022

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Fed, Banco Central americano, espera uma queda de 6,5% no PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos em 2020, seguido de uma alta de 5% em 2021 e de 3,5% em 2022. A autoridade apresentou suas projeções econômicas nesta quarta-feira (10), ao comunicar que manteve o juros na faixa de 0 a 0,25% ao ano. O Fed também sinalizou que vê a taxa de juros próxima de zero até, pelo menos, 2022.

"Não estamos nem pensando em pensar em aumentar a taxa de juros", disse Jerome Powell, presidente do Fed, em entrevista à imprensa.

Para o desemprego, o Fed vê uma melhora no quadro atual até o fim de 2020, com uma taxa de 9,3%. Hoje, a taxa é de 13,3%, a maior desde a Grande Depressão. Para 2021, a projeção é de 6,5% e para 2022, 5,5%.

"A crise de saúde pública pesará com força sobre a atividade econômica, emprego e inflação no curto prazo e apresenta riscos consideráveis para as perspectivas econômicas no médio prazo", disse o Fed.

O BC americano se comprometeu a manter as compras de títulos "no ritmo atual" de cerca de US$ 80 bilhões por mês em títulos do Tesouro e US$ 40 bilhões por mês em títulos de hipoteca lastreados, sinalizando que mais estímulos das autoridades monetárias e do governo sejam necessários.

Powell voltou a assegurar que a instituição vai usar todas as ferramentas que tem à disposição para dar suporte à economia e "garantir que a recuperação seja a mais robusta possível".

Ele voltou a dizer que a queda no PIB americano nos segundo trimestre deve ser a pior da história e que ainda não é possível identificar um determinado caminho para a economia como o mais provável. "Com a reabertura da economia teremos uma ideia melhor", disse Powell.

Pela incerteza, o comitê de política monetária do Fed manteve praticamente inalteradas as projeções de desemprego e crescimento para os EUA no longo prazo, em um 1,8% e 4,1%, respectivamente. Em dezembro de 2019, estimavam um crescimento de 1,9% do PIB americano.

"Ainda é muito cedo para mudar métricas de longo prazo, mas espero que não tenhamos que mudar", disse Powell.

"Podemos ver uma queda no desemprego nos próximos meses, mas ainda deve ser muito difícil para as pessoas encontrarem emprego por um tempo. Ninguém esperava criação de empregos em maio, veremos se é uma coisa sazonal ou uma recuperação nos próximos meses", disse Powell, lembrando que este é o maior choque na economia americana dos últimos tempos – o país saiu da menor taxa de desemprego em 50 anos para a maior em 90 anos em cerca de dois meses.

Em maio, foram inesperadamente criados 2,5 milhões de postos de trabalho, o que reduziu o desemprego no país de 14,7% a 13,3%, aliviando a preocupação sobre o dano infligido pela pandemia do coronavírus à maior economia do planeta.

Powell mencionou ainda que a maior parte do desemprego é no setor do serviço, com salários menores e trabalhadores hispânicos, negros e mulheres.

Quando questionado sobre a contribuição do juro baixo para a desigualdade, apontado por pesquisas científicas, Powell disse que as taxas perto de zero são necessárias para fortalecer os bancos, para que eles possam aumentar o acesso ao crédito.

O presidente do Fed, em seu discurso, fez um aceno aos protestos antirracismo.

"Não há espaço no Fed para o racismo e não deveria ter lugar para o racismo na sociedade".