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Quem diria que o 'BBB 20' seria uma aula de sororidade

A briga com Hadson ganhou novas proporções e gerou uma conversa sobre machismo e sororidade (Foto: Reprodução)

Tudo começou com o que parecia ser uma estratégia de jogo: seduzir as participantes comprometidas do 'BBB 20' para queimar a sua imagem fora da casa e garantir a sua eliminação. Mas a ideia de Hadson saiu pela culatra, e o que temos observado é o reality show da Globo se tornar uma aula sobre sororidade e feminismo

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Impossível acreditar que o assunto não viraria pauta em tempos como esse, mas o programa tem demonstrado, dia após dia, a necessidade do público masculino rever os seus comportamentos - afinal, mesmo sabendo que tudo é gravado e transmitido país afora, o brother fez questão de agir de forma a culpabilizar as mulheres da casa e tirar o seu da reta. 

Vamos retomar o babado: depois da formação do paredão do último domingo (2), Marcela, Gizelly e Thelma contaram para as outras sisters o plano de Hadson, Felipe e Lucas: queimar as meninas comprometidas do Camarote. 

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As meninas, então, se uniram e foram tirar satisfação, principalmente, com Hadson, que orquestrou todo o "plano". A conversa virou uma grande discussão, que terminou com uma frase marcante de Rafa Kalimann: "Hadson, faz o seguinte: aproveita quando você sair, assiste todos os vídeos e aprende a ser um pouquinho menos machista". 

A repercussão da briga e da união das meninas foi tamanha que uma série de famosas, como Fê Paes Leme e Bruna Marquezine demonstraram apoio ao que estava acontecendo dentro do confinamento. Também, não é por menos, o que vimos foi claramente uma tentativa de ganhar o jogo em cima de uma confirmação de estereótipos femininos: de que a mulher é, sim, julgável a partir das sua vida sexual e amorosa - e isso tem um efeito no seu caráter como pessoa. 

"O feminismo é muito importante em uma sociedade onde homens não se sentem constrangidos em mentir e se acovardar diante da exposição do seu machismo. O nosso poder também vem da união e do suporte que damos umas às outras. Mulheres, confiem em outras mulheres", escreveu Fê no twitter. 

Um exemplo perfeito de gaslighting e sororidade

Acima de tudo, o que tem mais chamado atenção nessa edição do 'BBB' é o quanto os comportamentos nocivos dos homens em relação às mulheres estão ficando transparentes. O que aconteceu entre Hadson e as meninas da casa tem nome, "gaslighting", e é uma técnica comum utilizada, principalmente, em relacionamentos abusivos

A ideia é mais simples do que o nome: agir de uma forma e, depois, negar quando confrontado, de forma a fazer a outra pessoa acreditar que está imaginando coisas. Hadson falou da estratégia, foi ouvido por Marcela e depois negou absolutamente tudo, dizendo que não tinha porque falar aquelas coisas. Para coroar, chorou e se fez de vítima. 

O comportamento não é exclusivo dos homens, mas é uma característica bastante comum na mentalidade machista. Como explicou a própria Marcela, ao conversar com as sisters: "'Louca' é um termo que as pessoas usam para não validar a opinião das mulheres". 

Não restou outra, a única forma das participantes não caírem nessa estratégia de desvalidação era se unir. Ou seja, se tornou também uma referência de sororidade, quando as mulheres se unem com o objetivo de se ajudarem e fortalecerem. Não é sem motivo que a internet foi à loucura e o Twitter foi inundado de demonstrações de apoio.

 

Repense o seu jeito, parça

No fim, o recado de Rafa é o mais importante: veja o que está acontecendo e reveja a forma como você age. Entre episódios de assédio (Petrix, estamos falando de você) e comentários dos mais absurdos, vemos um reforço de um comportamento tóxico e fica cada dia mais inadimissível. 

Ao invés de buscar uma forma de vencer o jogo através do próprio jogo, os homens decidiram investir no linchamento público das mulheres, buscando uma forma de queimar os seus relacionamentos fora da casa - o que além de mau caratismo é uma ideia extremamente machista porque lida com as mulheres como objetos sexuais e conectam o seu valor à sua vida sexual. 

Não só isso, ms os próprios brothers, alguns dos quais são comprometidos fora da casa, esperam  misericórdia das namoradas porque as suas decisões foram "em nome do jogo". Isto é, ao mesmo tempo que esperam que as participantes do 'BBB' se queimem e percam credibilidade por ficarem com outros homens, eles esperam ser (e acreditam que serão) perdoados por terem feito exatamente a mesma coisa. 

Usar o argumento de que foram criados por suas mães e que têm irmãs não significa nada. Na verdade, é a mesma desculpa de quem tem comportamentos homofóbicos e diz que "tem amigos gays" ou age de forma racista e fala que "tem uma empregada negra que é da família".  Ninguém merece um prêmio por estar cercado de mulheres, já que, boa parte das vezes, isso não tem qualquer relação com a forma como um homem se comporta em relação a elas. 

No mais, o recado foi dado: o 'Big Brother Brasil 20' é a edição do machismo, do feminismo e da sororidade. Resta esperar que, uma vez fora da casa, os brothers revejam a forma como pensam e agem e que isso sirva, também, de lição para todo o público.