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Alta na demanda por crédito é de ‘desesperados’, diz presidente do BB

Lu Aiko Otta

Rubem Novaes diz que bancos trabalham perto do limite e admite não haver capacidade para atender toda a procura por financiamentos O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou nesta segunda-feira que houve um aumento abrupto da procura por empréstimos, e repetiu que a demanda não poderá ser totalmente atendida. “Não é uma demanda saudável”, afirmou, em reunião da comissão mista do Congresso que acompanha a atuação do governo em no combate à pandemia. “É a demanda dos desesperados.”

Os recursos não são buscados para investir ou para manter um negócio em funcionamento. “A gente procura atenuar [esse quadro] com programas governamentais”, disse. No entanto, a demanda é enorme. “Enquanto não pudermos voltar à normalidade da vida econômica, esse quadro vai permanecer.”

Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil, diz que não será possível atender toda a demanda por crédito

Claudio Belli/Valor

Novaes atribuiu ao aumento acentuado da demanda por crédito a sensação que há recursos “empoçados” para serem emprestados. Ele acrescentou que há um limite no volume de crédito concedido em relação ao capital.

“É certo que o Banco Central nos deu uma folga, mas os bancos trabalham perto do limite”, afirmou. “É praticamente impossível atender à demanda.” Os bancos têm trabalhado no limite e a sensação de “empoçamento” é “distorcida”, afirmou.

O vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos do BB, Carlos Renato Bonetti, informou que no momento o banco não tem restrição a clientes inadimplentes, mas sim àqueles que deram prejuízo, ou seja, a dívida foi dada como quitada com prejuízo para a instituição.

O Banco do Brasil (BB) já desembolsou R$ 136,8 bilhões em operações de crédito desde o início da crise provocada pelo novo coronavírus, disse nesta Novaes.

Dos valores liberados, R$ 80 bilhões foram destinados a empresas, dos quais R$ 42,1 bilhões se referem a contratos prorrogados e R$ 37,9 bilhões, a contratos novos. Especificamente para as micro e pequenas, foram destinados R$ 33,3 bilhões, dos quais R$ 24,7 bilhões em prorrogações e R$ 8,6 bi em operações novas.

Para pessoas físicas, foram R$ 33,8 bilhões, sendo R$ 7,5 bilhões em prorrogações e R$ 26,3 bilhões em crédito novo.

Para o agronegócio, foram R$ 23 bilhões; R$ 2,1 bilhões em prorrogações e R$ 20,9 bilhões em crédito novo. Esse setor, disse Novaes, tem tido um desempenho diferente do restante da economia, com provável exceção dos hortifrútis.

Dos programas sociais, o BB recebeu depósitos de R$ 1,77 bilhão referente ao auxílio emergencial. Liberou ainda R$ 358,2 milhões de financiamento para folha salarial, um programa que está sendo reformulado. Para o programa de auxílio emergencial, foram liberados R$ 3,1 bilhões.

Pequenas empresas

Segundo Novaes, a linha de crédito do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) começará a ser operada esta semana. Na semana passada, o governo concluiu os preparativos para que o Fundo Garantidor de Operações (FGO) cubra até 85% das perdas dos bancos na carteira de operações do Pronampe.

A linha está pronta, afirmou. Mas disse não saber exatamente quando será anunciada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro.

Segundo Novaes, 98% das agências permanecem abertas. Cerca de 50% dos funcionários operam à distância. A diretoria-executiva, porém, tem comparecido presencialmente na sede da instituição. O presidente, que tem 74 anos, disse que não se sentiria bem em colocar funcionários para atuar na ponta e permanecer em casa.