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BB e Caixa dizem que vão prestar informações para transição de governo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Apesar do silêncio do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ministro Paulo Guedes (Economia) sobre o resultado das eleições, o BB (Banco do Brasil) e a Caixa Econômica Federal já se comprometeram a colaborar com a transição para o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os dois bancos estatais afirmaram que irão repassar todos os dados demandados pela nova equipe, que deve se instalar em Brasília e receber do governo uma atualização da situação das contas públicas e de outros temas cruciais para o próximo mandato.

"Como integrante da administração pública o BB sempre cumpriu com a legislação que estabelece as regras de transição entre governos. O BB mantém sua postura de prestar neste momento todas as informações que forem solicitadas", afirmou o Banco do Brasil por meio da assessoria de imprensa.

"A Caixa irá fornecer as informações solicitadas pelo Coordenador da equipe de transição e prestará o apoio técnico e administrativo necessário ao trabalho", afirmou a Caixa também por meio da assessoria.

As declarações são dadas após o próprio presidente eleito Lula manifestar incerteza sobre a transição de governo. "A partir de amanhã [segunda-feira, 31] eu tenho que começar a me preocupar como é que a gente vai governar esse país. Eu preciso saber se o presidente que nós derrotamos vai permitir que haja uma transição para que a gente tome conhecimento das coisas", disse Lula no domingo (30) à noite.

Os ministros do governo Bolsonaro, entre eles Guedes, não se manifestaram publicamente nesta segunda sobre o resultado do pleito e a transição. Guedes chegou a ser abordado por jornalistas nesta segunda, mas disse apenas "agora não, pessoal" –e também não se pronunciou no restante do dia.

A postura reservada de Guedes no dia seguinte ao pleito contrasta com o seu comportamento "falastrão" na reta final da campanha, quando atuou como cabo eleitoral de Bolsonaro em diversas palestras, lives e eventos com empresários.

Na semana anterior ao pleito, foram cinco participações públicas em apenas três dias, passando por diferentes cidades do Sudeste. Nos eventos, o chefe da pasta econômica colecionou derrapadas nos discursos, com falas que geraram repercussão negativa para o governo.

Em um desses eventos, o ministro chegou a falar que o atual governo roubou menos —para, em seguida, dizer que não roubou. "Eu, se fosse o Bolsonaro, diria 'tudo que o Lula fizer, eu faço mais, porque nós roubamos menos. Nós não roubamos'. Não é isso?", afirmou.

Procurado, o Ministério da Economia afirmou que "pela Lei, é a Casa Civil que coordena o processo de transição e encaminha solicitação de informações aos secretários-executivos dos ministérios".