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BB diz estar disposto a se desfazer de atividades que não são principais

Talita Moreira

O presidente do banco, Rubem Novaes, segue com foco na concentração no core business e negócios que tenham sinergia O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, comemorou nesta quinta-feira os resultados do terceiro trimestre. Em entrevista coletiva, ele disse que o banco vive um momento especial, conseguindo atender bem os clientes, engajar funcionários e agradar acionistas.

Fotos: Claudio Belli/Valor/Arquivo

Ele afirmou que a estratégia do banco não mudou e segue com foco na concentração no core business e negócios que tenham sinergia. “O que não tem a ver com atividades principais, estamos dispostos a nos desfazer. O que tem relação com nossa rede de distribuição é óbvio que vamos continuar apoiando”, afirmou.

Segundo ele, o BB busca uma otimização de capital, direcionando para linhas de melhor retorno. Ele afirmou ainda que o banco já vem há algum tempo fazendo um esforço enorme de contenção de despesas e continua com essa estratégia.

Já o vice-presidente de gestão financeira do BB, Carlos Hamilton, afirmou que o índice de eficiência é o melhor da história do banco, graças a uma combinação de rigor nas despesas com crescimento nas receitas de serviços. Ele apontou que houve redução de 463 agências tradicionais em relação a setembro do ano passado e desligamento de 3.360 funcionários desde então.

Sobre o crédito, ele ressaltou que a carteira de varejo vem crescendo e que faz parte da estratégia manter a participação do BB no consignado. No crédito PJ, a carteira de MPE é mais rentável, com destaques para capital de giro e conta garantida. “O BB tem usado o banco de investimento para estruturar operações de clientes PJ. Ocorre num momento de mudança do large corporate no mercado de capitais”, explicou.

Desinvestimentos

O presidente do BB afirmou que a instituição pretende atrair um “parceiro internacional de grande vulto” para a BB DTVM. No entanto, segundo ele, o processo não será concluído neste ano. “Por enquanto, não dá para definir um cronograma. Começou com um grande número de pretendentes e hoje já está mais reduzido. Com isso, agora a gente pode entrar em mais detalhes da negociação e caminhar um pouco mais rápido para uma conclusão”, disse Novaes.

O banco anunciou ontem à noite a formalização da joint venture com o UBS em banco de investimento, e a ideia é fazer uma parceria nesses mesmos moldes na área de gestão de recursos. Segundo Novaes, a ideia é que o sócio da BB DTVM seja estrangeiro e que tenha complementaridade com as capacidades do BB. “É importante trazer experiência internacional para essa área. A ideia é ter parceiro internacional de grande vulto”, disse.

Em relação às vendas de ativos, o presidente do BB afirmou que o desinvestimento no Banco Patagonia está em suspenso por causa da mudança de governo na Argentina. “A questão está em suspenso até que se defina rumo da economia da Argentina. A gente ainda não sabe exatamente se o que vem pela frente é bom ou ruim para sistema bancário. Cogitar algo neste momento seria prematuro. Vamos esperar aclarar situação lá”, afirmou.

Novaes evitou fazer comentários sobre outros processos de desinvestimentos. Disse apenas que já há assessores financeiros com mandato para a venda do BB Americas, mas a operação não será concluída neste ano. “É a [venda] mais de curto prazo, mas não sai neste ano.”

Crédito

Novaes afirmou que o BB tem sido conservador no atacado e pretende ser agressivo nos segmentos de pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas. Novaes afirmou que o banco tem anunciado reduções de taxas de juros quase simultaneamente à queda da Selic. Segundo ele, o banco vem acompanhando o movimento da autoridade monetária para “reduzir ainda mais”.

Hamilton, afirmou que a carteira de crédito de pessoas jurídicas vai se aproximar do guidance fornecido pela instituição financeira para este ano, que prevê queda de 10% a 13% no estoque, excluídas operações com o governo. Até setembro, a retração foi de 8,6%. De acordo com o executivo, há um maior volume de operações de grandes empresas não renovadas. Boa parte desses clientes tem preferido se financiar no mercado de capitais.

Hamilton destacou que o BB vem crescendo no crédito a pessoas físicas e entre micro, pequenas e médias empresas, que é o segmento mais rentável da carteira de pessoas jurídicas.

As despesas administrativas e com pessoal, por outro lado, estão melhores que o intervalo previsto para 2019, que prevê crescimento de 2% a 5% em 2019. Nos nove primeiros meses deste ano, o aumento foi de apenas 0,7%. No entanto, segundo Hamilton, as despesas devem caminhar para o intervalo do guidance no quarto trimestre por causa dos gastos previstos em acordo com o plano de saúde Cassi, que atende os funcionários.

Por outro lado, o banco revisou para cima o guidance de lucro líquido ajustado para este ano. O intervalo agora vai de R$ 16,5 bilhões a R$ 18,5 bilhões. Nos nove meses até setembro, o resultado foi de R$ 13,2 bilhões. “Estamos melhorando nossos resultados, que estão cada vez mais próximos aos dos pares privados”, afirmou Novaes.

"Racionalização" da estrutura interna

O presidente do BB afirmou que a gestão atual discute a possibilidade de uma “racionalização” da estrutura interna da instituição financeira. “Por enquanto, são algumas discussões internas para enxugamento de estrutura e alguma redistribuição de tarefas”, afirmou. Segundo ele, no entanto, a questão ainda não foi levada sequer ao conselho diretor do banco. “Não temos meta de redução de vice-presidências, diretoria, nada disso.”

O BB também deve continuar reavaliando o tamanho de sua rede de agências. “O que a gente tem feito mais é reduzir a classificação das agências. Trabalhar com agências menores, mais postos de atendimento, correspondentes bancários. Não vamos deixar a população desassistida”, disse.

Segundo Carlos Motta, vice-presidente de distribuição de varejo, esse trabalho de otimização da rede vai continuar no ano que vem, junto com a especialização da rede de atendimento.