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Baterias de alumínio poderiam carregar um celular em segundos, diz especialista

·3 minuto de leitura

Pesquisadores da Universidade de Queensland e do Graphene Manufacture Group (GMG), ambos da Austrália, desenvolveram uma bateria de íons de alumínio que pode ser carregada 60 vezes mais rápido do que uma bateria comum de íons de lítio, além de ter uma capacidade para reter energia três vezes maior.

Segundo os cientistas, as baterias de alumínio também são mais seguras, não apresentam superaquecimento espontâneo, são completamente recicláveis e mais sustentáveis que as atuais células de energia feitas de lítio.

Nas novas baterias, os pesquisadores usam nanotecnologia para inserir átomos de alumínio dentro de pequenas perfurações no grafeno. Isso faz com que elas sejam capazes de fornecer muito mais densidade energética do que as baterias convencionais. “O alumínio carrega uma bateria tipo moeda em dez segundos. É tão rápido que é basicamente um supercapacitor”, afirma o diretor do GMG, Craig Nicol.

Bateria tipo moeda pode ser carregada em 10 segundos (Imagem: Reprodução/GMG)
Bateria tipo moeda pode ser carregada em 10 segundos (Imagem: Reprodução/GMG)

Adaptáveis

De acordo com os executivos do GMG, as células de energia de íons de alumínio são totalmente adaptáveis à tecnologia usada atualmente pela indústria de veículos elétricos.”As nossas baterias terão a mesma forma e voltagem que as células de íons de lítio atuais e também podemos mudá-las facilmente caso seja necessário”, explica Nicol.

Outras iniciativas também utilizam o alumínio como matéria-prima para a fabricação de células de energia mais eficientes. Pesquisadores da Universidade de Cornell, nos EUA, desenvolveram baterias de alumínio capazes de suportar até 10 mil ciclos de carga e descarga, com uma vida útil 20 vezes maior do que a de uma bateria convencional.

Imagem ampliada do alumínio depositado nas fibras de carbono (Imagem: Reproduçao/Cornell University)
Imagem ampliada do alumínio depositado nas fibras de carbono (Imagem: Reproduçao/Cornell University)

Ao contrário dos pesquisadores australianos, que preferiram perfurar pedaços de grafeno para depositar átomos de alumínio, os cientistas norte-americanos apostaram em um substrato de fibras de carbono entrelaçadas para potencializar o desempenho das baterias.

“Nós encontramos uma maneira de fazer orifícios no grafeno e de armazenar átomos de alumínio mais próximos uns dos outros. Com esses furos, os átomos grudam no grafeno e ele se torna muito mais denso, como uma bola de boliche em um colchão”, compara Craig Nicol.

Mais vantagens

Além das vantagens técnicas sobre as células de íons de lítio, as baterias de alumínio trazem benefícios econômicos e ambientais. Como são feitas basicamente com folhas de alumínio reciclável, líquido ionizante e ureia, seu processo de fabricação é ecologicamente menos agressivo.

Outro atrativo seriam os custos de produção. A tonelada do lítio comercializada mundialmente subiu de US$ 1.460 (cerca de R$ 8 mil) para US$ 13 mil (R$ 70 mil) entre 2005 e 2021. No mesmo período, a tonelada do alumínio aumentou de US$ 1.730 (R$ 9 mil) para pouco mais de US$ 2.100 (R$ 11 mil).

Novas baterias são feitas de folhas de alumínio, líquido ionizante e ureia (Imagem: Reprodução/GMG)
Novas baterias são feitas de folhas de alumínio, líquido ionizante e ureia (Imagem: Reprodução/GMG)

O GMG deve lançar as primeiras baterias tipo moeda de íons de alumínio até o final deste ano. “Ainda não estamos vinculados a grandes marcas, mas essa bateria certamente poderia estar em um iPhone e carregá-lo em segundos”, afirma Nicol.

Porém, a utilização de baterias de alumínio em veículos elétricos deve demorar um pouco mais. Segundo os executivos da empresa, células de energia com capacidades maiores só devem chegar ao mercado mundial no começo de 2024.

Fonte: Canaltech

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