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Batalha por Alemanha Oriental segue 30 anos após Muro de Berlim

Chris Reiter

(Bloomberg) -- Diana Lehmann tinha seis anos quando o Muro de Berlim foi derrubado.

Cerca de um mês depois, lembra, seus pais levaram a família para a Baviera em seu Trabant, fabricado na Alemanha Oriental, para experimentar essa estranha nova liberdade recebida.

Com os US$ 50 de “boas-vindas” do governo da Alemanha Ocidental para gastar, os pais de Diana a levaram a uma loja de brinquedos. Mas havia muita coisa.

No Leste, ela tinha a opção de um bicho de pelúcia marrom ou cinza. No Ocidente, a variedade de opções, cores brilhantes e piscas-piscas eram desconcertantes. Saíram da loja com grande parte do dinheiro no bolso.

O choque estava apenas começando.

Para muitos de fora, a reunificação alemã foi um sucesso histórico - os guardas comunistas que abriram os portões para o Ocidente há exatamente 30 anos completados no sábado, 9 de novembro, estavam ajudando a acabar com a Guerra Fria e espalhar a democracia pelo leste europeu.

Mas, para os que se lançaram na realidade do capitalismo da noite para o dia, a transição foi brutal.

Milhares de empresas foram fechadas, milhares vendidas em privatizações e mais de 3 milhões de pessoas perderam o emprego. Lehmann, que agora é parlamentar na assembleia estadual da Turíngia, diz que, ao crescer, não conhecia uma única família que não tivesse sido afetada.

“No Ocidente, há muito pouco entendimento do que a transformação significou para a vida das pessoas no Oriente”, diz, ao passar pela torre de Jena, onde cresceu nos precários anos após a reunificação.

Com a batalha entre globalização e populismo ainda viva em todo o mundo ocidental, essas cicatrizes colocam o leste da Alemanha na linha de frente novamente.

O desemprego convergiu gradualmente com o Ocidente - em outubro, era de 6,1% contra 4,6%. Mas os salários ainda são cerca de 20% mais baixos do que no Ocidente, e o êxodo pós-reunificação deixou para trás uma sociedade que envelhece rapidamente e que pode novamente ficar do lado errado da história.

Com Donald Trump insistindo no lema “America First”, enquanto os defensores do Brexit em Londres e nacionalistas em Budapeste puxam os dois lados da União Europeia, muitos no Leste pensam que o governo é rápido em ajudar estrangeiros ou ricos enquanto muitos cidadãos são esquecidos.

Nas eleições estaduais do mês passado na Turíngia, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha ficou com 23%, dobrando sua participação e criando um impasse na legislatura. Os sociais-democratas de Lehmann ficaram em quarto lugar, com apenas 8%.

“Essas tendências existem em todo o mundo”, disse Ilko-Sascha Kowalczuk, historiador de Berlim Oriental e autor de um livro sobre a reunificação. “Mas estão acontecendo de maneira mais rápida e dramática na Alemanha Oriental.”

--Com a colaboração de Tony Czuczka e Samuel Dodge.

Para entrar em contato com o repórter: Chris Reiter em Berlim, creiter2@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Ben Sills, bsills@bloomberg.net, Daniela Milanese

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