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Batalha final de evangélicos por Mendonça tem de culto a 'patrocínio' de Michele

·4 min de leitura
BRASÍLIA, DF, 01.12.2021 – SABATINA-ANDRE-MENDONÇA - O ex advogado Geral da União e ex-ministro da Justiça do Governo Bolsonaro realiza sabatina para aprovação de seu nome para uma vaga no STF, em Brasília, DF, nesta quarta-feira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 01.12.2021 – SABATINA-ANDRE-MENDONÇA - O ex advogado Geral da União e ex-ministro da Justiça do Governo Bolsonaro realiza sabatina para aprovação de seu nome para uma vaga no STF, em Brasília, DF, nesta quarta-feira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) entra no Congresso com a Bíblia numa mão e o celular apitando na outra. Passou as últimas 24 horas, junto com pares da bancada evangélica, lutando para que a candidatura de André Mendonça a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) não vá a pique.

Mendonça esteve na semana passada com mais de 50 deputados, a maioria evangélica como ele, numa unidade do Coco Bambu, sede de articulações políticas na capital federal.

Parte do grupo jantou arroz com camarão e digeriu os desafios à frente para aprovar o nome "terrivelmente evangélico" que o presidente Jair Bolsonaro indicou para a corte em julho.

Daquele encontro saiu um grupo de WhatsApp com congressistas encarregados de batalhar até o último minuto pela aprovação do ex-AGU (advogado-geral da União) de Bolsonaro, um pastor presbiteriano que agrada à frente evangélica. Sóstenes, que vai liderar o bloco no eleitoral 2022, está nele, assim como o atual presidente da bancada, Cezinha de Madureira, mais outro ex-líder, Silas Câmara, Eli Borges e o decano da turma, Gilberto Nascimento.

É um "dia histórico" para se estar em Brasília, diz o parlamentar que entrou na política a pedido do seu pastor, Silas Malafaia --o mais midiático fiador do ex-ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro, que passou nesta quarta (1º) por sua tão aguardada sabatina no Senado, colocada em banho-maria por quatro meses pelo presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Davi Alcolumbre.

Que Alcolumbre faz de tudo para escantear Mendonça da corte todo mundo sabe. Mas enfureceu Sóstenes a postagem de um aliado do senador. Pedro da Lua (PSC-AP) disse, bem no dia da sabatina, que o "pastorzinho" Malafaia não deveria ameaçar o amapaense.

"Você acha mesmo que nosso povo vai trocar Davi Alcolumbre, que transformou o Amapá no estado que mais recebeu recursos federais, pelo senhor, que não abriu mão nem de cobrar os cachês de suas pregações? Enquanto vossa senhoria tuíta, Davi Alcolumbre TRABALHA", escreveu numa rede social.

O clima azedou, sobretudo pela alegação de que Malafaia pediria remuneração para pregar, o que foi dito sem provas e é negado pelo pastor. A publicação do também evangélico Lua foi vista como um recado do presidente da CCJ, que há meses reclama que é perseguido pelo grupo do pastor carioca por procrastinar a sabatina de Mendonça.

Dias depois daquele jantar no Coco Bambu, o aspirante a ministro do STF deu um abraço na primeira-dama Michelle Bolsonaro em outro encontro com deputados evangélicos, na véspera de sua sabatina. O jantar no Palácio da Alvorada trouxe no cardápio sanduíches, caldos e especulações sobre quantos votos Mendonça conseguiria dos senadores.

Quando abraçou Michelle, o ex-ministro brincou com seu antigo chefe que o fazia "com todo o respeito". O gesto foi tomado pelos convidados como um sinal de que Mendonça tem o patrocínio da primeira-dama na família Bolsonaro.

Em conversas privadas, evangélicos brincavam que era caso para psicólogo de família. Isso porque, se Michelle tem simpatia pelo sabatinado, o filho senador de seu marido nem tanto.

Corre nos bastidores do poder evangélico que em compensação o primogênito do presidente, Flavio Bolsonaro, não seria tão agarrado à ideia de Mendonça no Supremo. Não que ojerize a hipótese, mas suas encrencas com a Justiça o levariam a ter mais apreço pelo presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins.

A corte tem dado algumas vitórias para o senador no caso da rachadinha. Martins, contudo, é adventista --linha cristã que muitos evangélicos não reconhecem como parte do segmento. E eles fazem questão de cobrar o nome "terrivelmente evangélico" que Bolsonaro lhes prometeu para o STF.

O contorno de batalha final ficou claro no culto semanal que a bancada religiosa promove todas as quartas numa sala da Câmara. O pregador do dia era Samuel Câmara, irmão do deputado Silas Câmara e líder da primeira Assembleia de Deus do Brasil, a chamada Igreja Mãe, em Belém do Para.

O pastor destacou o papel que evangélicos ganharam no governo Bolsonaro ("nunca fomos tão convidados a vir para Brasília") e também o simbolismo de emplacar um par evangélico na mais alta corte do país.

"Hoje será um dia todo de oração e trabalho", disse em sua fala. "Esperamos que hoje à noite possamos sentir exatamente isso, que um grãozinho [nosso] chegou ao Supremo. Vamos trabalhar para que esta semente não seja morta."

Ainda estavam a horas da sabatina começar quando Aline Barros, cantora gospel convidada para o louvor da bancada, cantou: "Estão tentando ver meus sonhos cancelados".

Deputados do bloco de fé se revezavam para garantir ao menos cinco dos seus na CCJ, ferramenta de pressão para senadores que porventura hesitassem em avalizar Mendonça na comissão.

Afinal, como disse o pastor Samuel no culto mais cedo, "neste momento as trevas estão trabalhando". E no dia D para evangélicos que almejam chegar ao Judiciário após êxitos no Executivo e no Legislativo, ninguém descansou.

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