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Batalha da China com fluxos de capital está mais forte que nunca

Sofia Horta e Costa e Enda Curran
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Em 2020, as iniciativas da China para atrair fundos estrangeiros finalmente foram recompensadas. Investidores de Nova York a Londres correram para comprar ações e títulos chineses, consolidando a posição do país no cenário global.

Contra a economia global destroçada e com estímulos sem precedentes liberados pelos bancos centrais, a resiliência da China ao coronavírus e seus ativos de maior rendimento pareciam atraentes. O resultado foi um aumento de 62% nas posições estrangeiras de ações locais na comparação anual, para 3,4 trilhões de yuans (US$ 520 bilhões); um aumento de 47% no mercado de títulos, para 3,3 trilhões de yuans; e o melhor trimestre da moeda chinesa em mais de uma década. Investidores estrangeiros compraram outros US$ 53,5 bilhões em títulos de dívida chinesa em janeiro e fevereiro deste ano, segundo a Gavekal Dragonomics.

Mas esse fluxo - e influência - agora cria uma dor de cabeça para o Partido Comunista. A China há muito tempo mostra obsessão sobre os riscos representados pelos fluxos de capital, especialmente após a desvalorização cambial desordenada em 2015, razão pela qual autoridades mantêm controles rígidos sobre o dinheiro que entra e sai do país. A escala das entradas aumenta o risco de bolhas de ativos na China, que estourariam caso o capital começasse a escapar.

“No momento em que essa demanda se tornar grande demais para administrar e começar a pressionar a estabilidade financeira - ou criar uma ameaça ou risco para a estabilidade financeira - ela será contida”, disse Paola Subacchi, professora de economia internacional no Instituto de Políticas Globais Queen Mary - Universidade de Londres e autora de ‘The People’s Money: How China Is Building a Global Currency.’

A presença estrangeira nos mercados de capitais da China moderna nunca foi tão grande: nos últimos anos, o governo chinês criou canais para permitir a entrada de fundos, abrindo links de negociação de ações e títulos por meio de Hong Kong e pressionando pela inclusão de ativos denominados em yuans nos principais índices globais. A abrangente meta era ajudar a tornar os mercados mais eficientes e poderosos. Instituições como fundos de pensão dariam estabilidade a uma bolsa dependente de especuladores, ao mesmo tempo em que aumentariam a liquidez em um mercado de títulos soberanos moribundos.

Depois das fortes entradas no passado, a China volta a se preocupar com oscilações dos fluxos de capital. As expectativas de forte crescimento da economia dos EUA começaram a elevar os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, encolhendo o prêmio oferecido pela dívida chinesa em cerca de 1 ponto percentual em relação a um recorde em novembro. Essas expectativas também impulsionam o dólar e punem o yuan, que em março perdeu cerca de 1,3%. O índice acionário CSI 300 acumula queda superior a 10% em relação à máxima deste ano.

“As saídas de recursos são sempre uma preocupação importante”, disse David Qu, economista da Bloomberg Economics. “As autoridades também podem estar preocupadas que as entradas, particularmente investimento especulativo, possam se converter em saídas quando as condições do mercado mudem.”

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