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Barras de ouro e diamantes de Sérgio Cabral pagariam 6 mil parcelas de R$ 600 do auxílio emergencial

(Foto: Agência Brasil)

Quilos de ouro 24 quilates, do mais puro que existe, e uma coleção de diamantes, com os mais variados pesos e tamanhos. Um verdadeiro tesouro, parte do patrimônio do ex-governador Sérgio Cabral, está disponível num leilão online por determinação da Justiça.

As cinco barras douradas e as 15 pedras preciosas estão divididas em 20 lotes, que, juntos, foram avaliados em R$ 3.861.553. Com essa quantia, seria possível pagar 6.435 parcelas de R$ 600 do auxílio emergencial. Daria também para pagar 3.695 milhões salários mínimos de R$ 1.045. O certame, conduzido pela De Paula Leilões, encerra sua primeira fase nesta quarta-feira, às 14h30.

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Até as 21h desta terça-feira, apenas quatro dos 15 lotes com diamantes tinham recebido lances (as peças que sobrarem estarão disponíveis num segundo leilão até o dia 20 de agosto). Já a briga pelas barras de ouro foi intensa no primeiro dia de leilão.

Também até as 21h desta terça-feira, sete perfis se revezavam na liderança para a aquisição final dos produtos, que serão leiloados acima da avaliação inicial, justamente pela disputa entre os compradores. As peças arrematadas terão que ser pagas à vista, acrescidas de 5% de comissão para o leiloeiro.

O dinheiro desembolsado para cada peça poderia comprar outros bens e produtos. Carros, viagens... E até mesmo respiradores, tão necessários em meio à pandemia do novo coronavírus (veja abaixo o que daria para comprar com o valor de dez dos 20 lotes). O item mais valioso é o 20, um diamante avaliado em R$ 308.116.

Acumulado por meio de propinas, o tesouro de Cabral estava na Suíça. As peças foram localizadas em 2017 e repatriadas depois da delação premiada dos irmãos doleiros Marcelo e Renato Chebar, que administravam os recursos do ex-governador do Rio no exterior, aos investigadores da Operação Lava-Jato.

Mas os trâmites para trazer ao Brasil todas as 27 pedras de diamantes (15 estão no leilão que começou ontem) e os 4,5kg de ouro que foram adquiridos com dinheiro ilegal não foram fáceis. De acordo com peritos, o material estaria avaliado em mais de R$ 20 milhões.

Itens chegaram ao Brasil em março

Logo depois da homologação de um acordo entre os países, o Ministério Público Federal do Brasil iniciou um processo de cooperação jurídica com o Ministério Público da Suíça, que acautelou as pedras e as barras de ouro até a finalização dos trâmites que viabilizaram a vinda dos itens.

A demora aconteceu devido a exigências de contratação de transportadoras e seguros especializados. Somente no dia 3 de março deste ano, três anos depois, procuradores do MPF embarcaram para Genebra para buscar o ouro e os diamantes, que ficarão num cofre até o fim do leilão, determinado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, através do juiz Marcelo Bretas.

Desde que foi preso, em novembro de 2016, Cabral acumula 13 condenações penais, a maioria no âmbito da Lava-Jato do Rio de Janeiro. Somadas, as penas superam os 282 anos. Ele responde ainda a mais de 30 processos criminais ligados a casos de corrupção durante seu governo (2007 a 2014).

Inicialmente, Cabral negou em juízo ter dinheiro oculto no exterior, como indicaram os irmãos Chebar. Depois, no entanto, adotou a postura de admitir que recebeu propina e que tinha recursos fora do país, sob responsabilidade dos doleiros delatores. O ex-governador renunciou à propriedade dos bens.

Com informações do Extra