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Bares de SP se dividem entre a esperança e o pessimismo no afrouxamento da quarentena

·4 minuto de leitura
*ARQUIVO* Sao Paulo, , BRASIL, 09-07-2021:  Extensão do horário  de bares ate as 23 horas. Bar Belle Epoque na rua Mourato Coelho (Vila Madalena) com pouco movimento de clientes as 21h30. (Foto: Eduardo Knapp/ Folhapress)
*ARQUIVO* Sao Paulo, , BRASIL, 09-07-2021: Extensão do horário de bares ate as 23 horas. Bar Belle Epoque na rua Mourato Coelho (Vila Madalena) com pouco movimento de clientes as 21h30. (Foto: Eduardo Knapp/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na última semana, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que estabelecimentos comerciais poderão ficar abertos até a meia-noite e receber até 80% de sua capacidade.

A mudança, aguardada por um dos setores que mais foram impactados negativamente pela pandemia, gerou sentimentos opostos —muitos endereços da capital começaram a enxergar um cenário positivo economicamente, enquanto outros ainda veem com cautela e pessimismo os altos índices de contágio e mortes por Covid-19.

Facundo Guerra, proprietário do Bar dos Arcos, diz se sentir perdido com a decisão do governo. “Como um fiscal vai conseguir aferir que um bar está com 80% da capacidade? É impossível. Não faz sentido, mas quero crer que essas decisões são tomadas com critérios científicos”, diz.

Mas alguns estabelecimentos que vinham cambaleando desde o início da pandemia comemoram. “Meu faturamento subiu uns 40% desde que pudemos ficar abertos até as 23h”, conta Lilian Varella, proprietária do Drosophyla Bar. Ela diz estar ansiosa para que seu endereço volte a funcionar normalmente, sem qualquer restrição, mas que entende a importância da retomada ser feita a passos lentos.

A mudança anterior nas regras do plano de quarentena estadual ocorreu no dia 9 de julho, quando foi permitido que bares fechassem as portas às 23h e funcionassem com 60% de sua ocupação. Na época, alguns funcionários do setor se mostraram insatisfeitos com a decisão, alegando precisar de mais horas na noite para trabalhar, já que o setor é essencialmente noturno.

Apesar das mortes causadas pela pandemia, eles diziam também que, com um período maior de funcionamento, as casas conseguiriam espaçar o fluxo de atendimento e impedir aglomerações.

Desde domingo, dia 1º, o funcionamento foi estendido em uma hora e a capacidade subiu 20%.

Bruno Bocchese, proprietário do bar Fel, estima que seu faturamento deve aumentar cerca de 20% a partir desta semana. Já Guerra acha que a mudança no caixa do Bar dos Arcos vai ser mínima por causa da crise econômica que atingiu a população nos últimos meses. "As pessoas não têm o que comer, então também não têm dinheiro para gastar em bar", afirma.

A flexibilização foi motivada pelo avanço da vacinação —segundo o governo, mais de 75% dos adultos paulistas já foram vacinados com a primeira dose. Contudo, pouco mais de 25% da população completou o ciclo vacinal, com todas as doses do imunizante.

Apesar das obrigatoriedades de medidas contra a pandemia, como o distanciamento social e o uso de máscaras, ainda há a preocupação com o número de mortes no país e com a variante delta do coronavírus, que vem pressionando governos mundo afora.

A partir de 17 de agosto, os estabelecimentos comerciais de São Paulo terão suas regras novamente afrouxadas e poderão voltar a funcionar com 100% da capacidade máxima permitida.

Bocchese diz que o Fel toma os devidos cuidados, mas que não vê isso sendo feito em todos os estabelecimentos de São Paulo. "A única segurança que existe é o SUS, as vacinas e rezar pro teu Deus. Não existe espaço seguro", diz Guerra, do Arcos.

O presidente do conselho estadual da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo, a Abrasel-SP, Percival Maricato, diz que "o país está preparado para a retomada, mas que não se pode descartar totalmente uma recaída e o surgimento de uma nova variante".

Para ele, o setor de bares está confiante com a retomada. Especialistas, no entanto, dizem que o fim das restrições nos estabelecimentos comerciais precisa ser feito com cautela e que a pandemia ainda não está controlada.

Guerra, que precisou fechar o bar Z Carniceria em dezembro, acredita que os bares ainda vão enfrentar diferentes dificuldades nos próximos meses, como o parâmetro de excelência exigido pelo consumidor que não vai a bares desde antes da pandemia. “A gente está saindo de um estado de coma. O prato vai chegar atrasado e talvez o negroni não desperte a memória do drinque que o cliente bebia antes." ​

O Brasil ainda está com a média móvel de pouco menos de mil mortes diárias por dia. O país chegou a 557.359 óbitos e a 19.953.379 pessoas infectadas desde o início da pandemia. Se puder, evite sair de casa. Se decidir sair mesmo assim, use máscara, higienize as mãos e mantenha o distanciamento.

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