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Barclays vê menor inclinação da curva e dólar mais fraco com política monetária

·2 minuto de leitura
Barclays vê menor inclinação da curva e dólar mais fraco com política monetária

SÃO PAULO (Reuters) - O ajuste mais intenso na política monetária ao mesmo tempo em curso e sinalizado pelo Banco Central é positivo para os mercados brasileiros e ampara posições a favor de redução da inclinação da curva de juros, além de aproximar a taxa de câmbio de seu valor justo, disse o Barclays.

"Continuamos esperando descompressão do prêmio de risco apoiado por um Banco Central mais proativo e continuamos comprados em DI janeiro 2022 e vendidos em DI janeiro 2024", disseram Roberto Secemski e Juan Prada em relatório.

A posição comprada reflete aposta de alta (no caso, alta dos juros futuros), enquanto a posição vendida indica o contrário.

Apostas em juros futuros mais elevados no curto prazo apontam expectativa de Selic maior. Um tom mais "hawkish" (duro com a inflação), por sua vez, tende a baixar as expectativas de inflação e aumentar a confiança no BC, potencializando a política monetária. Isso ajuda a reduzir prêmio de risco em vencimentos mais dilatados, o que ajuda a explicar a recomendação vendida em DI janeiro 2024.

De acordo com o Barclays, o mercado prevê intenso ciclo de alta de juros e sem pausa, o que levaria a Selic ao patamar neutro (6,5%) em janeiro de 2022.

"Achamos que deve haver pouca mudança na precificação (do mercado nos juros), já que o banco está abrindo a possibilidade de remover a referência à normalização 'parcial' no futuro, o que validaria a precificação de mercado atual. A curva pode ser negociada com um viés de achatamento na compressão do prêmio de risco, já que o ritmo acelerado de altas deve continuar."

O impacto das indicações de política monetária também se estende ao câmbio, segundo os profissionais do banco estrangeiro, que veem o movimento em curso como um suporte ao real.

Eles lembraram que a moeda tem se valorizado desde a resolução do impasse do Orçamento 2021, no mês passado, em trajetória que aproximou a cotação do valor justo pelo modelo FFV (Financial Fair Value).

O dólar cai 7,8% desde a máxima de 12 de abril (5,7258 reais) e era cotado a 5,2803 reais nesta quinta-feira, nas mínimas desde meados de janeiro.

"Acreditamos que a lenta restauração do 'carry' e a potencial descompressão de risco são positivos para o real e esperaríamos um viés mais alto na moeda", disseram.

"No entanto, o ritmo de ganhos provavelmente será muito moderado em comparação com os movimentos vistos no mês passado", ressalvaram. O Barclays segue com estratégia de long put spreads no par dólar/real, indicando aposta de queda do dólar, mas ainda em meio a um ambiente de alta volatilidade.

(Por José de Castro)