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Barcelona sofre golpe com cancelamento do MWC por temor de vírus

Charles Penty, Thomas Gualtieri e Rodrigo Orihuela

(Bloomberg) -- Enric Catala, um sommelier de Barcelona, ficou consternado quando clientes começaram a cancelar as degustações de vinho que ele havia organizado para o Mobile World Congress (MWC) deste ano.

“É claro que tem um impacto econômico - é um grande evento”, disse Catala, proprietário da Taca de Vi, que oferece tours de vinho, eventos e sessões de degustação. “Mas tudo isso é causado por algo externo, não é como se Barcelona tivesse feito algo errado.”

Na quarta-feira, a GSMA, organizadora do evento, se curvou ao inevitável e anunciou que o congresso de 2020 não seria realizado após uma série de gigantes da tecnologia, como Ericsson, Sony e LG Electronics, cancelarem a participação citando preocupações sobre o contágio do coronavírus.

O cancelamento é um golpe para a indústria global de tecnologia, privando empresas de um grande palco para mostrar novos produtos e estabelecer marcadores para as últimas tendências de consumo. A conferência nunca havia sido cancelada em seus 33 anos de história.

Mas o cancelamento também é um grande revés para Barcelona. Ao longo dos anos, a segunda maior cidade da Espanha preparou sua economia para atender aos participantes do MWC, também aprimorando suas credenciais como um local privilegiado para concertos e convenções.

O congresso ocupa dois principais locais de feiras na cidade portuária, e a edição de 2019 recebeu 107 mil pessoas de cerca de 200 países, tendo gerado um impacto econômico de 473 milhões de euros (US$ 513 milhões), segundo o governo regional catalão. O evento também criou 13,9 mil empregos temporários, atraindo 2,4 mil empresas expositoras.

A Espanha não via motivos para o cancelamento do evento por motivos de saúde, disse a vice-primeira-ministra e ministra da Economia, Nadia Calviño, em entrevista à rádio COPE na quinta-feira.

A ministra disse que aguardaria mais explicações sobre a decisão do cancelamento. Até o momento, a Espanha tem dois casos confirmados de coronavírus.

É muito cedo para avaliar o efeito de reservas de hotéis canceladas, disse a associação do setor Gremi d’Hotels em comunicado na terça-feira, embora muitos dos 430 hotéis de Barcelona normalmente já tenham reservas completas de participantes meses antes do congresso.

“Barcelona tem ótimos especialistas em saúde que disseram que não havia risco de coronavírus”, disse Jordi Mestre, presidente da associação. Ele disse que queria saber por que o evento ISE, a maior exposição do mundo para a indústria de integração de sistemas, ocorria em Amsterdã enquanto o MWC havia sido cancelado.

Serviços de transporte por aplicativo como Cabify registraram cancelamento de 30% das reservas no MWC antes do anúncio que o evento não seria realizado, disse em entrevista José Maria Goni, presidente da associação Unauto, na Catalunha. As empresas locais já haviam suspendido planos de contratar 1,5 mil motoristas para complementar os 1 mil funcionários existentes durante o congresso.

Alguns líderes empresariais espanhóis indicam que o cancelamento pode ter sido uma reação exagerada.

“Acho que ninguém neste país acredita que isso deveria acontecer”, disse a repórteres na quarta-feira Antonio Huertas, presidente do conselho da Mapfre, maior seguradora da Espanha, acrescentando que sua empresa não tem exposição significativa ao cancelamento.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Charles Penty Madrid, cpenty@bloomberg.net;Thomas Gualtieri Madrid, tgualtieri@bloomberg.net;Rodrigo Orihuela Madrid, rorihuela@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Chad Thomas, cthomas16@bloomberg.net, Jerrold Colten, Chris Reiter

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