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Bandidos usam Fórmula 1 e falso acidente para aplicar golpes com criptomoedas

O que Elon Musk e os pilotos de Fórmula 1 Charles Leclerc e Max Verstappen tem em comum? Suas imagens foram utilizadas em um novo golpe voltado ao roubo de carteiras de criptomoedas, em uma nova versão de um método já conhecido, que utiliza lives falsas e canais roubados para passar uma aparência de legitimidade e disseminar links fraudulentos.

Na fraude, uma transmissão ao vivo prometia detalhes e vídeos sobre um suposto acidente brutal envolvendo Verstappen, piloto da Red Bull e principal nome ao título mundial da Fórmula 1 neste ano. Nas imagens, uma entrevista com Leclerc, da Ferrari, à jornalista Katie George, da ESPN, era exibida repetidamente, em uma live que chegou a ultrapassar a marca de 150 mil espectadores.

No chat, fechado apenas para inscritos de forma a evitar que o golpe fosse revelado, os criminosos enviavam um link do serviço de hospedagem de arquivos Mediafire com imagens da batida que, desnecessário dizer, nunca aconteceu. Junto, vinha a divulgação de uma parceria igualmente falsa entre a Tesla, montadora de veículos elétricos de Musk, e a Fórmula 1, para entrega gratuita de criptomoedas.

<em>Transmissão ao vivo falsa fala em acidente envolvendo o piloto Max Verstappen; no chat, links fraudulentos são compartilhados para a aplicação de golpes com criptomoedas (Imagem: Reprodução/Estagiário da F1)</em>
Transmissão ao vivo falsa fala em acidente envolvendo o piloto Max Verstappen; no chat, links fraudulentos são compartilhados para a aplicação de golpes com criptomoedas (Imagem: Reprodução/Estagiário da F1)

O resultado era um golpe duplo. De um lado, estava um download malicioso, com malware que, supostamente, roubava dados e credenciais do computador das vítimas. De outro, o velho esquema que promete ganhos consideráveis mediante o envio de uma quantia em criptomoedas para um endereço designado, por meio do qual o retorno nunca vinha.

A live chegou a ficar no ar por cerca de uma hora e foi denunciada, no Twitter, pelo Estagiário da F1, produtor do conteúdo que também trabalha no canal oficial da Fórmula 1 no Brasil, a Band. O perfil focado no esporte recebeu a denúncia sobre a fraude por mensagem direta e pediu cuidado a seus seguidores, além de ter compartilhado o link da fraude com a reportagem do Canaltech.

Canais roubados ajudam a disseminar golpes

Trata-se de um golpe relativamente comum, que vem sendo praticado, pelo menos, desde meados de 2020. A ideia dos criminosos é usar canais roubados no YouTube para disseminar a fraude, se aproveitando da credibilidade e tempo de criação deles, bem como do número de seguidores, para realizar transmissões ao vivo e obter o máximo de lucro possível em um curto período de tempo.

<em>Chats exclusivos para inscritos e canais roubados são usados por criminosos para evitar que usuários indiquem a fraude, enquanto se aproveitam da popularidade da Fórmula 1 (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)</em>
Chats exclusivos para inscritos e canais roubados são usados por criminosos para evitar que usuários indiquem a fraude, enquanto se aproveitam da popularidade da Fórmula 1 (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

Neste caso, o espaço que acabou desfigurado para parecer o da Fórmula 1 foi o do criador David Welch, de Trindade e Tobago. Ele produzia vídeos sobre música e seu cotidiano, mas aparentemente, havia abandonado o canal em meados de 2020, não tendo, também, publicado sobre o furto dele em suas redes sociais.

Todo o conteúdo original foi retirado do ar pelos golpistas antes da realização da live e, como normalmente acontece, o YouTube agiu de forma rápida, bloqueando o canal por fraude menos de 12 horas depois da realização da transmissão ao vivo. Não se sabe, entretanto, quantas pessoas ou se alguém caiu no golpe envolvendo criptomoedas.

Isso, por outro lado, não impediu que o golpe continuasse acontecendo. No momento em que essa reportagem é escrita, uma nova live já está no ar em outro canal furtado, desta vez, alegando que foi Lewis Hamilton, da Mercedes, quem sofreu um acidente grave. São mais de 57 mil pessoas, novamente, assistindo a uma entrevista antiga de Leclerc enquanto links maliciosos são enviados pelo chat.

Os altos números de visualização são explicados pela altíssima audiência da Fórmula 1 desde o ano passado, resultado, entre outras coisas, do sucesso da série Dirigir Para Viver, da Netflix. A disputa entre Hamilton e Verstappen, no ano passado, também ajudou a atrair mais fãs para o esporte, com mudanças no regulamento e maior divulgação nas redes sociais aumentando significativamente a popularidade do esporte em todo o mundo. Os criminosos, claro, também notaram isso.

Como evitar cair em golpes no YouTube

A atenção às fake news é um dos principais fundamentos para que táticas desse tipo não funcionem. Em vez de clicar em links no chat, procure pela notícia citada em portais reconhecidos — nos casos veiculados nessa reportagem, um acidente grave com um piloto de Fórmula 1, com certeza, estaria na página inicial de todos os sites esportivos de renome. Observe URLs, também, para garantir que o conteúdo está sendo consumido em canais oficiais e identificar links roubados de outros criadores.

Além disso, desconfie de esquemas que prometam grandes retornos em troca do envio de criptomoedas, principalmente quando usarem os nomes de celebridades ou personalidades. Novamente, faça pesquisas sobre tais ofertas antes de realizar transferências e jamais baixe soluções de links disponíveis em páginas ou comentários com esse teor.

Manter sistemas operacionais atualizados e antivírus funcionando também ajuda na detecção de sites e softwares fraudulentos, bem como mitigam eventuais falhas de segurança que possam ser aproveitadas por criminosos. Além disso, o ideal é sempre baixar soluções de sites legítimos, fabricantes ou lojas oficiais, evitando links de terceiros ou sites de compartilhamento de arquivos.

Fonte: Canaltech

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