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Bancos dos EUA se preparam para US$ 11 bi em recompras de ações

Yalman Onaran
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Os seis maiores bancos dos Estados Unidos poderão recomprar até US$ 11 bilhões em ações no primeiro trimestre do ano que vem, depois de receberem o sinal verde do Federal Reserve para retomar as compras.

A segunda rodada dos testes de estresse de 2020, divulgada na sexta-feira, indicou que Wall Street conseguiu navegar pela turbulência da Covid-19 e tem capital adequado para resistir a uma desaceleração econômica prolongada causada pelo coronavírus. Em junho, o Fed impôs limites temporários para pagamentos de acionistas dos maiores bancos, proibindo-os de recomprar ações ou aumentar o pagamento de dividendos.

JPMorgan e Morgan Stanley disseram em comunicados que planejam retomar as recompras a partir do próximo trimestre. Citigroup e Goldman Sachs afirmaram que também pretendem reiniciar as compras no próximo ano, enquanto o CEO do Bank of America, Brian Moynihan, disse que a instituição planeja recomprar ações “assim que nos for permitido”.

Com base na nova política de distribuição, os seis maiores bancos americanos poderiam recomprar até US$ 11 bilhões em ações no primeiro trimestre, desde que os lucros do quarto trimestre atinjam os níveis estimados por analistas. O valor triplicaria os pagamentos aos acionistas.

Bancos de Wall Street ficaram à margem durante o rali das bolsas neste ano, enquanto aguardavam ansiosamente a permissão para aumentar as distribuições de capital.

Dividendos inalterados

Mesmo com a retomada das recompras, os dividendos permanecerão inalterados até março, limitados ao valor que cada banco retornou no segundo trimestre deste ano. O Fed disse que os pagamentos dos bancos aos acionistas no primeiro trimestre do ano que vem não podem exceder a receita média trimestral para 2020.

Os bancos atualmente distribuem cerca de 30% dos lucros aos acionistas por meio de dividendos. As recompras podem levar os pagamentos totais a 100% do lucro líquido médio dos bancos nos quatro trimestres anteriores.

O vice-presidente do Fed para supervisão, Randal Quarles, disse que o sistema bancário tem sido “uma fonte de força durante o último ano” e acrescentou que a segunda rodada de testes de estresse “confirma que os grandes bancos puderam continuar a emprestar para famílias e empresas, mesmo durante um futuro muito adverso na economia”. Nenhum dos maiores bancos ficou abaixo dos mínimos de capital exigidos nos cenários hipotéticos de testes do Fed.

A flexibilização das regras de capital pelo Fed é maior do que o permitido por reguladores europeus. O Banco da Inglaterra, que permitiu novamente a distribuição de dividendos, limitou os pagamentos a 25% do lucro dos bancos. O Banco Central Europeu permite que 30% do lucro líquido recente seja distribuído aos acionistas, enquanto bancos americanos podem retornar todo o lucro obtido neste ano.

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©2020 Bloomberg L.P.