Bancos cortam crédito a emergentes, diz BIS

A crise financeira diminuiu drasticamente o total de crédito para mercados emergentes no fim de 2011. No 2º semestre do ano passado, o total de operações interbancárias aos emergentes diminuiu em US$ 80,74 bilhões. Essa é a constatação de um estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês). A América Latina, porém, não teve diminuição e sofreu apenas desaceleração das novas operações. Ou seja, empréstimos destinados aos bancos latino-americanos não diminuíram, só cresceram menos.

Relatório trimestral divulgado neste domingo (9) mostra que, na média, países emergentes foram duramente afetados pela crise no fim do ano passado, quando bancos em todo o mundo ficaram ainda mais restritivos nos empréstimos. Em 2011, o saldo líquido dos empréstimos a bancos emergentes diminuiu em US$ 5,22 bilhões no 3º trimestre e em US$ 75,52 bilhões no 4º trimestre. Cerca de 70% desse estreitamento do mercado aconteceu via bancos da zona do euro que estão no centro da crise e, por isso, têm sido mais restritivos.

Como a oferta de crédito ficou menor, diminuiu o espaço para bancos emergentes rolarem operações antigas e, assim, instituições tiveram de quitar dívidas - o que explica a diminuição do total emprestado em mais de mais de US$ 80 bilhões em seis meses.

Segundo o BIS, a piora foi sentida em todas as principais regiões emergentes: África, Ásia, Europa emergente, Oriente Médio e Pacífico. A única exceção é a América Latina que, ao contrário, passou bem pelo período. No mesmo 2º semestre de 2011, o total de financiamentos para a região aumentou em US$ 15,38 bilhões, sendo US$ 2,38 bilhões no 3º trimestre e US$ 13 bilhões no 4º trimestre de 2011.

"Ao contrário da Ásia e Europa emergente, a América Latina experimentou apenas uma desaceleração modesta no crescimento dos empréstimos no segundo semestre de 2011. Embora nossas estimativas sugiram que fatores locais associados à ação dos bancos da zona do euro tenham impacto negativo nos empréstimos para a região, outros fatores compensaram esse efeito", diz a pesquisa.

O relatório diz que "é interessante notar" que algumas regiões como a América Latina sofreram menos com a atual crise porque dependem menos do financiamento internacional. "Na América Latina, bancos estrangeiros desempenham um papel relevante, mas empréstimos internacionais são uma parte relativamente menos importante porque eles tendem a financiar localmente a maioria dos seus empréstimos para a região", diz o relatório, ao citar que essa avaliação já havia sido constatada pelo economista do BIS, Robert Neil McCauley, em 2010.

Fora da América Latina, a região que mais sofreu com a piora da crise foi a "Europa emergente" - nome dado ao grupo que inclui a Rússia e Turquia, além da Bulgária, Croácia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Macedônia, Polônia, República Checa, Romênia e Ucrânia. Segundo o BIS, o total de empréstimos interbancários para a região diminuiu em US$ 47,82 bilhões no 2º semestre de 2011, sendo que 85% desse fechamento do mercado de crédito foi via bancos europeus.

A Europa emergente é, inclusive, a única que ainda não se recuperou e continuou registrando seguidas contrações do volume de crédito internacional até o último mês de junho. Segundo o BIS, nos 12 meses encerrados em junho de 2012, o total de crédito para a Europa emergente diminuiu em US$ 67,71 bilhões. No mesmo período, para efeito de comparação, a América Latina teve aumento de US$ 31,93 bilhões no total emprestado.

Carregando...