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Banco Mundial: Covid-19 pode jogar 150 milhões de pessoas na extrema pobreza

Lucas de Vitta
·3 minutos de leitura

A instituição prevê, no relatório “Pobreza e Prosperidade Compartilhada”, que que oito em cada dez “novos pobres” sejam de países de renda média Cerca de 150 milhões de pessoas podem ser jogadas na extrema pobreza até 2021 a depender da severidade da crise provocada pela pandemia de covid-19, disse, nesta quarta-feira (7), o Banco Mundial, que prevê que oito em cada dez “novos pobres” sejam de países de renda média. As projeções constam no relatório “Pobreza e Prosperidade Compartilhada”, produzido a cada dois anos pela instituição. Ainda em 2020, entre 88 milhões e 115 milhões de pessoas devem entrar em situação de extrema pobreza. Com este acréscimo, entre 9,1% e 9,4% da população mundial terá, neste ano, menos de US$ 1,90 (cerca de R$ 10,6) por dia para viver. Com a pandemia, a taxa global de pobreza voltará aos níveis de 2017, segundo as estimativas. Se a covid-19 não tivesse devastado as economias de diversos países, o Banco Mundial previa uma queda do índice para 7,9% neste ano. “A pandemia e a recessão global podem fazer com que mais de 1,4% da população mundial caia na extrema pobreza”, disse o presidente do Banco Mundial, David Malpass. “Para reverter esse sério revés para o progresso do desenvolvimento e da redução da pobreza, os países precisarão se preparar para uma economia diferente pós-covid-19, permitindo que capital, trabalho, habilidades e inovação entrem em novos negócios e setores.” O relatório também conclui que muitos dos “novos pobres” estarão em países que já possuem altas taxas de pobreza. Segundo o Banco Mundial, cerca de 82% deles viverão em países de renda média, que terão, ainda neste ano, um número significativo de pessoas em situação de extrema pobreza. Para o Banco Mundial, se não houver ação política rápida, significativa e substancial, a covid-19, somada a outros fatores como conflitos e a mudança climática, tornará impossível o cumprimento da meta de erradicar a pobreza até 2030. Pelos cálculos da entidade, a taxa de pobreza global pode ser 7% daqui 10 anos se nada for feito. Combate à pobreza O progresso no combate à pobreza já estava diminuindo mesmo antes da pandemia. A taxa de redução desacelerou de um ponto percentual por ano entre 1990 e 2015 para 0,5 ponto percentual entre 2015 e 2017, de acordo com a instituição. O Banco Mundial também acompanha o número de pessoas que vivem com valores entre US$ 3,20 (R$ 17,90) e US 5,50 (R$ 30,70). Segundo a entidade, quase 3,3 bilhões de pessoas, o equivalente a 40% da população global, estão abaixo da linha de US$ 5,50. Prosperidade compartilhada A crise também diminuiu a chamada prosperidade compartilhada, definida como o crescimento da renda dos 40% mais pobres da população de um país. A instituição estima que o índice estagnará ou até mesmo recuará no período entre 2019-2021 por causa da pandemia. Para o Banco Mundial, a desaceleração da atividade econômica, causada pelas medidas para conter a doença, atingirá as pessoas mais pobres de maneira especialmente forte. Desta forma, os índices de prosperidade compartilhada devem ser ainda mais baixos nos próximos anos. Segundo o relatório, essa tendência reverteria avanços obtidos nos últimos anos. A prosperidade compartilhada cresceu em 74 dos 91 países que forneceram dados econômicos no período entre 2012-2017. Em 53 deles, o crescimento beneficiou mais os mais pobres do que o restante da população. A prosperidade compartilhada global foi, em média, de 2,3% para o período. Para o Banco Mundial, isso sugere que, sem ações políticas, a crise da covid-19 pode provocar ciclos de maior desigualdade, menor mobilidade social e menor resiliência a choques futuros.