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Banco Inter estima que pode chegar a mais de 8 milhões de clientes no fim de 2020

Álvaro Campos

Segundo o presidente da instituição financeira, o banco não vai crescer a qualquer preço O Banco Inter terminou o terceiro trimestre com 3,3 milhões de clientes, abrindo uma média de 12 mil novas contas por dia útil. Em teleconferência com analistas nesta quinta-feira, o presidente João Vitor Menin disse que o banco pode terminar 2020 com 8 milhões de clientes. Na plataforma de investimentos PAI já são 338 mil clientes.

Reprodução/Facebook

“A gente sempre apostou em um crescimento sustentável. Vocês não vão ver a gente ‘comprar’ clientes, mas continuamos acelerando [a abertura de contas]. O crescimento do número de clientes deve continuar no mesmo ritmo, e pode até ter alguma surpresa positiva. Em vez de terminar em 8 milhões em 2020 [como sugere a extrapolação matemática], pode terminar com 10 milhões”, comentou.

Segundo ele, o banco não vai crescer a qualquer preço e o custo de aquisição de clientes (CAC) segue bastante baixo. Esse custo foi de R$ 22,37 no terceiro trimestre, sendo R$ 13,03 de gasto operacional e R$ 9,34 de despesa com marketing.

Crescimento sustentável

Menin ressaltou diversas vezes que o crescimento do Inter é sustentável. Segundo ele, após um período de lançamento de produtos e mudanças tecnológicas, o banco passa agora por um momento de inflexão, com linhas de negócio mais maduras impulsionando a receita.

Segundo o Inter, com o grande crescimento na base de correntistas as receitas por usuário foram diluídas ao longo dos últimos anos, enquanto as despesas totais aumentaram com lançamento de diversos produtos, desenvolvimento de novos negócios e investimento em equipe para servir os clientes. “Acreditamos que a partir de 2020 estaremos prontos para puxarmos as alavancas que nos levam a um ponto de inflexão, em que receitas crescem mais que as despesas, refletindo no tradicional índice de eficiência”, diz o banco no balanço.

O índice de eficiência - quanto menor, melhor - ficou em 75,2% no terceiro trimestre, de 78,3% no segundo. O executivo disse que a tendência é de queda nos próximos trimestres.

Ele apontou que a linha “outras despesas operacionais” recuou 40,3% na passagem do segundo para o terceiro trimestre, beneficiada pela redução nas despesas com saque, proporcionado pela integração com a Tecban. “O saque [em caixa eletrônico] é um custo muito importante na nossa matriz. Com mais clientes, conseguimos um desconto com a Tecban”.

Menin afirmou que o Inter vem crescendo fortemente no dois pilares que geram receita: tarifas de serviços e margem financeira. “Alcançamos nossa meta informal de ter 30% da receita total em tarifas de serviços”, comentou. Sobre a margem, ele comentou que a tendência é de um crescimento mais forte daqui para frente.

A margem financeira líquida (NIM) ficou em 8,7% no terceiro trimestre e Menin disse que o indicador deve oscilar perto desse patamar. “A tendência de médio a longo prazo é ficar entre 8,5% e 9,5%. O crédito imobiliário tem uma NIM menor, e temos um caixa alto, com excesso de Basileia, que atrapalha um pouco. Mas não vejo uma redução da NIM olhando pra frente”. Segundo ele, o custo de funding, que caiu para 72,1% do CDI, deve estar próximo do piso.

Crédito consignado

Menin explicou que o crédito consignado, que já representa 21,5% da carteira do Inter, deve continuar crescendo de maneira acelerada. Ele disse que o Inter ainda não está sentido efeitos de concorrência nessa área. O crescimento anual no terceiro trimestre foi de 16,7%.

“Não temos sentido pressão de concorrência, vemos a originação aumentando mês a mês. Nossa participação de mercado é de apenas 0,2%, 0,3%, temos uma expectativa muito boa de acelerar essa fatia”, afirmou.

Apesar das perspectivas positivas apresentadas por Menin, as ações do Inter operam em forte queda nesta quinta-feira, em função da baixa de 38,1% no lucro líquido na comparação anual, a R$ 11,820 milhões. O lucro foi afetado pelo aumento de 76,3% nas despesas administrativas, a R$ 85,5 milhões. Os gastos com processamento de dados subiram 81,6%, a R$ 30,5 milhões.