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Banco Central eleva juros para 9,25%, no maior ciclo de altas desde 2002, com o país em recessão técnica

·4 min de leitura

O Banco Central (BC) decidiu elevar a taxa básica de juros, a Selic, de 7,75% para 9,25% nesta quarta-feira. Com isso, o atual ciclo de alta se torna o maior desde 2002, antes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir o cargo.

De olho na inflação de 2022, que já ameaça fugir da meta, o Banco Central tem sido mais duro na alta dos juros. Do menor patamar da história de 2% em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) foi aumentando o ritmo de alta em cinco reuniões seguidas, até chegar no ajuste de 1,5 ponto percentual (p.p) em outubro e repeti-lo nesta quarta-feira, totalizando sete altas consecutivas.

Veja:

Com magnitude de 7,25 p.p, o atual ciclo só não supera a escalada de 18% para 26,5% que aconteceu de outubro de 2002 até fevereiro de 2003 na esteira de um temor do mercado com a presidência de Lula.

A constante alta da inflação registrada durante todo o ano tem vários fatores, como os choques de preços de combustíveis e alimentos, que afetam toda a cadeia. Há também a incerteza fiscal, que causou confusão no mercado e fez as projeções de PIB, juros e inflação se deteriorarem tanto para 2021 e 2022.

Analisando esse cenário, o Copom sinalizou mais uma alta de 1,5 p.p na próxima reunião, levando a Selic para 10,75% ao ano. No comunicado, o Comitê deixou claro que vai seguir na estratégia de subir os juros até que o processo de desinflação se consolide e as expectativas fiquem ancoradas ao redor das metas.

"O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista", diz o comunicado.

A questão fiscal foi mais uma vez ressaltada no comunicado, assim como na última reunião do Comitê. O BC voltou a alertar que prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco, se traduzindo em juros mais altos.

"Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevam o risco de desancoragem das expectativas de inflação, mantendo a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico", diz o documento.

O movimento do BC, que deve continuar no próximo ano, tem efeitos além da inflação. Com juros mais altos, a atividade também se retrai e as expectativas já não são boas. O mercado espera crescimento de 0,51% no PIB em 2022 e inflação em 5,02%, acima do teto da meta de 3,5%, que tem intervalo de tolerância de 1,5 p.p para cima ou para baixo.

Além disso, o país já está em recessão técnica, configurada por dois trimestres de resultado negativo no PIB. Com a autonomia, o BC ganhou como metas secundárias a suavização das flutuações do nível de atividade e o fomento ao pleno emprego.

No comunicado, o Copom vê que a atividade econômica brasileira mostra "evolução moderamente abaixo da esperada". No cenário externo, o ambiente é "menos favorável" com alguns bancos centrais das principais economias do mundo sinalizando cautela frente à inflação mundial.

"Além disso, a possibilidade de nova onda da Covid-19 durante o inverno e o aparecimento da variante Ômicron adicionam incerteza quanto ao ritmo de recuperação nas economias centrais", aponta o comunicado.

Rafael Cardoso, economista-chefe da Daycoval Asset explica que com uma atividade econômica desaquecida, os agentes ficam com mais dificuldade de repassar a alta dos preços, o que ajuda a diminuir a inflação, mas o BC tem outra questão para resolver: a desancoragem de expectativas.

O mercado vem subindo suas expectativas de inflação em todos anos até 2024, o que levanta um medo de que o BC não conseguirá cumprir as metas de inflação no futuro próximo. Ele espera que mais duas altas de 1,5 p.p na Selic, chegando a 12,25% no início de 2020 seriam suficientes.

— O Banco Central vai ter que mostrar um compromisso um pouco mais duro e por isso a gente acredita que a princípio ele vai seguir nesse ciclo de 1,5 p.p em 2022. Tem esse argumentos do lado contrário, da atividade, mas a briga do BC não é com a meta de 2022 ou 2023, é uma briga de desancoragem — ressaltou Cardoso.

No cenário básico do Copom, a inflação ficaria em 10,2% neste ano, 4,7% no próximo e em 3,2% em 2023. As taxas de juros ficariam em 11,75% durante 2022, já fechando o próximo ano com redução para 11,25%. Já 2023, a Selic voltaria para o patamar de 8%.

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