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Banco Central corta novamente taxa básica de juros

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Rua comercial reaberta em São Paulo em 10 de junho de 2020, apesar da pandemia de coronavírus

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a cortar nesta quarta-feira (17) sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, um novo mínimo histórico de 2,25%, para enfrentar a queda da atividade econômica provocada pela crise do coronavírus.

"A conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado", afirmou o Copom.

O corte, similar ao decidido em maio, é o oitavo consecutivo e foi convergente com a expectativa da maioria dos analistas.

O Comitê, que adotou sua decisão por unanimidade dos oito membros presentes, também abriu caminho para um novo corte na taxa Selic, embora de menor magnitude, em sua próxima reunião do Conselho, prevista para o dia 5 de agosto.

Segundo André Perfeito, da consultoria Necton, esse corte será de 0,25 ponto percentual, a 2%, na medida em que "as condições gerais da economia [brasileira] provavelmente continuarão muito ruins".

O corte nas taxas de juros é uma ferramenta usada pela autoridade monetária para incentivar o investimento e o consumo, quando a inflação está sob controle.

Parece ser esse o caso, porque o Copom expressa em sua declaração uma preocupação com uma trajetória de inflação abaixo das expectativas, após dois meses de queda de preços e uma expectativa de mercado de aumento de 1,6% no IPC para este ano, bem abaixo do centro da meta oficial de 4% e do piso de 2,5%.

Segundo o documento, esse risco se intensificará caso a pandemia continue, causando aumentos na incerteza e nas poupanças, com uma consequente redução na demanda por bens e serviços.

As projeções indicam que, em 2020, o Brasil sofrerá a pior contração do PIB de sua história, cerca de 8%, de acordo com o Banco Mundial.

- Desconfiança -

Os cortes na Selic (que no ano anterior era de 6,5%) não abriram as comportas do crédito. Pelo contrário: os bancos estão restringindo as condições de acesso, temendo falências em série e um aumento nas inadimplências.

Em maio, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior, explicou à revista Veja que, com as novas demandas de empréstimos, os juros devem subir um pouco, em função do risco, que aumentou.

O preço do dinheiro no Brasil é um dos mais caros do mundo. Em abril, a taxa média de juros para pessoas jurídicas era de 13%, com um spread de 8,7%.

A economista Daniela Casabona, parceira da FB Wealth, também considera que, enquanto a pandemia não for controlada, qualquer estímulo monetário será supérfluo porque "em vez de consumir, as pessoas estão perdendo seu poder de compra e seus empregos devido à propagação da doença".

O Brasil se tornou o segundo país com mais casos e mais mortes pela pandemia, atrás somente dos Estados Unidos.

Segundo o último relatório oficial divulgado nesta quarta-feira, o saldo é de mais de 955.000 casos confirmados e 46.510 mortes.