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Antes de Pazuello, Brasil tinha 15 mil mortos e muitos alertas ignorados

Matheus Pichonelli
·3 minuto de leitura
Brazil's Health Minister Eduardo Pazuello leaves after a news conference in Brasilia, Brazil, March 15, 2021. REUTERS/Ueslei Marcelino
O general e agora ex-miinistro da Saúde Eduardo Pazuello. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Quando o general Eduardo Pazuello assumiu, ainda interinamente, o ministério da Saúde, em 16 de maio de 2020, pouco mais de 15,6 mil pessoas haviam morrido em decorrência do coronavírus no Brasil.

Seu antecessor, Nelson Teich, havia projetado, pouco antes de deixar o cargo, que o país poderia ultrapassar em breve a marca de 1.000 mortes diárias. A perspectiva ainda causava impacto, e ele só faltou ser chamado de mensageiro do apocalipse.

Teich, assim como o antecessor, Luiz Henrique Mandetta, deixou o cargo após inúmeras divergências com o presidente, Jair Bolsonaro. Em um episódio constrangedor, ele foi comunicado, em uma coletiva, que o chefe havia divulgado, à sua revelia, a lista de atividades essenciais que não poderiam ser afetadas por medidas de restrição. Como academias e barbearias.

Pazuello deixou o cargo exatos dez meses depois de assumir a missão. Naquele dia, o Brasil contabilizava quase 280 mil mortos por Covid-19 —número 18 vezes maior do que o registrado quando se sentou na cadeira.

Para quem sabe fazer contas, fica difícil dizer que o comandado de Bolsonaro tenha tido qualquer sucesso no posto. Em seu último ato, porém, ele declarou: “Hoje o Brasil pode se orgulhar”.

Ao menos um lote digno de vacinas estava a caminho.

Desde o começo estava claro que o militar foi colocado no posto para atender, e não aconselhar, o projeto bolsonarista de combate à pandemia. Um projeto de confronto com estados e prefeituras, ojeriza a isolamento social e só recentemente convertida ao discurso em defesa da vacina.

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Cinco meses atrás, Bolsonaro mostrou quem era o ministro da Saúde de fato ao desmentir, publicamente, o anúncio feito pelo subordinado de que havia chegado a um acordo para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butatan, em São Paulo, em parceria com a fabricante chinesa Sinovac —e que Bolsonaro chamou de “vacina chinesa do Doria”.

Pazuello acatou humildemente o cala-boca do presidente, para quem o “aporte bilionário” para uma vacina em fase de testagem (feito pelas grandes potências) não se justificaria. “O povo brasileiro não será cobaia de ninguém”.

Meses depois, já com a vacina na praça (e finalmente comprada pelo governo federal após aprovação da Anvisa), a gestão Pazuello ficaria marcada pela envio de doses do imunizante destinados ao Amazonas para o Amapá e vice-versa. Ele se tornou símbolo da desorganização e alvo de questionamentos e pedidos de investigação sobre suposta omissão diante dos sinais de que o sistema de saúde amazonense, sem cilindros de oxigênio para atender tantos infectados, entraria em colapso. Entrou.

Desde então, Bolsonaro se viu obrigado a procurar um substituto.

Fez uma espécie de sabatina com a médica cardiologista Ludhmila Hajjar, que passou a ser ameaçada após ficar evidente a sua incompatibilidade com as ideias do presidente, sobretudo a respeito da cartada do lockdown. Pela ordem, ela poderia até deixar morrer a população do Nordeste, desde que não atrapalhasse os planos para a reeleição do presidente.

Em vez de ser julgado e processado pela declaração, Bolsonaro seguiu à vontade em sua procura por um novo ministro. Agora quer um combatente mais agressivo e mais entendido do assunto.

Chegou ao nome de Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Ele assume, conforme já anunciou, com a missão de promover “um amplo debate com a comunidade médica para que a gente harmonize mais as relações e tenhamos um resultado melhor diante da pandemia”.

Queiroga será o quarto ministro da Saúde em um ano de pandemia.

O mais longevo deles ficou dez meses no posto porque evitou bater de frente com a tese bolsonarista de que a melhor vacina era se infectar. O número oficial de mortes é o balanço mais exato da gestão.