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Balança comercial tem superávit de US$ 3,096 bilhões em fevereiro

Mariana Ribeiro

Saldo é resultado de US$ 16,355 bilhões em exportações e importações no valor de US$ 13,259 bilhões A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 3,096 bilhões em fevereiro, aumento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, pela média diária, segundo números divulgados nesta segunda-feira (2) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

Nos dois primeiros meses de 2020, o saldo é positivo em US$ 1,361 bilhão, uma queda de 69,8% sobre o mesmo período de 2019.

As exportações totalizaram US$ 16,355 bilhões em fevereiro. Pela média diária, houve aumento de 15,5% sobre o desempenho do mesmo mês de 2019. Já as importações alcançaram US$ 13,259 bilhões e tiveram aumento, também pela média diária, de 16,7% sobre fevereiro do ano passado.

No acumulado de 2020, as exportações somam US$ 30,795 bilhões, queda de 4,2%, pela média diária, em relação ao mesmo período do ano passado. Já as importações totalizam US$ 29,434 bilhões, aumento de 6,5%, na mesma base de comparação. Em 12 meses, o saldo está positivo em US$ 44,666 bilhões.

As exportações de produtos básicos subiram 26,2%, pela média diária, em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2019. As vendas de produtos semimanufaturados para o exterior avançaram 6,2%, na mesma base de comparação, e as de produtos manufaturados, 4%.

De acordo com a Secex, o aumento das exportações se deu, principalmente, nos óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus (US$ 703 milhões), minérios de cobre e seus concentrados (US$ 626 milhões) e óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (US$ 299 milhões).

Pelo lado das importações, as compras de bens de capital subiram 102,2% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano anterior, as de bens de consumo avançaram 2,2%, as compras de bens intermediários, 3,2%, e as de combustíveis e lubrificantes, 32,2%.

Coronavírus

O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, afirmou, nesta segunda, que foram observados efeitos pontuais da epidemia de coronavírus sobre as exportações em fevereiro, mas que os impactos, até o momento, não foram significativos e não afetaram o resultado fechado do mês.

Segundo Brandão, houve relatos de problemas de exportadores de carnes no início de fevereiro, mas que isso “foi pontual” e “está sendo superado”. No caso da soja, cujos processos são automatizados, e do minério de ferro, não houve relatos.

O secretário ponderou que os efeitos da epidemia não são imediatos e, por isso, ainda podem afetar os resultados dos próximos meses. “O efeito do coravírus é gradual e heterogêneo entre os setores”, colocou.

No mês passado, as vendas para o exterior cresceram e as exportações para China, principal destino dos produtos brasileiros, subiram 20,9%. As vendas totais para a Ásia avançaram 27,3%.

Na mesma base de comparação, as vendas para a América do Norte caíram 9,3%, para a América do Sul recuaram 6,1% e para a Europa avançaram 35,1%.

Pelo lado das importações, o secretário destacou que poderia ter sido observada uma queda nas vendas de bens intermediários devido a relatos de falta de insumos eletrônicos, mas que, na verdade, houve alta de 3,2% na comparação anual.

Embarque de soja para exportação no porto de Itaqui, no Maranhão

Claudio Belli/Valor

Otimismo

Brandão afirmou ainda que a secretaria já recebeu relatos de exportadores que, em um cenário de desvalorização do real, estão otimistas com o aumento de rentabilidade.

“O dólar mudou para o nível de mais de R$ 4 há algum tempo e já temos relatos de empresas que estão otimistas por conta dessa rentabilidade maior”, disse durante apresentação dos resultados da balança comercial em fevereiro.

Brandão acrescentou esperar “grandes volumes embarcados de soja” no ano. Ele afirmou ainda que, devido ao atraso no plantio da soja, os volumes devem entrar com mais força nas exportações nos próximos meses.